Causa genética da hiperidrose é descoberta por cientistas
Causa genética da hiperidrose é descoberta

Cientistas da Universidade Livre de Bruxelas e da Universidade Johns Hopkins descobriram a causa genética da hiperidrose, condição caracterizada pela sudorese excessiva. O estudo, publicado na revista Science Advances, revela que a hiperidrose está ligada a um distúrbio nervoso e a alterações no canal iônico Nav1.8, responsável pela transmissão de sinais nervosos que controlam a produção de suor.

O que é a hiperidrose?

A hiperidrose afeta cerca de 5% da população mundial, causando suor excessivo mesmo em repouso ou em temperaturas amenas. A condição pode impactar severamente a qualidade de vida, gerando constrangimento social e dificuldades profissionais. Até agora, as causas não eram completamente compreendidas, e os tratamentos disponíveis, como antitranspirantes fortes, medicamentos orais e toxina botulínica, oferecem alívio limitado.

A descoberta genética

Os pesquisadores analisaram o DNA de famílias com histórico de hiperidrose e identificaram mutações no gene que codifica o canal Nav1.8. Essas mutações tornam o canal hiperativo, fazendo com que os nervos que estimulam as glândulas sudoríparas disparem com mais frequência, resultando em suor excessivo. "É como se o interruptor do suor ficasse preso na posição 'ligado'", explicou o Dr. Mark Johnson, coautor do estudo da Johns Hopkins.

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Implicações para o tratamento

A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de medicamentos que bloqueiem especificamente o canal Nav1.8, oferecendo um tratamento mais eficaz e com menos efeitos colaterais. Atualmente, drogas que inibem canais de sódio são usadas para tratar epilepsia e arritmias, mas não são seletivas para Nav1.8. "Nosso objetivo é criar um inibidor seletivo que possa ser tomado por via oral, reduzindo a sudorese sem afetar outras funções nervosas", afirmou a Dra. Sophie Laurent, da Universidade Livre de Bruxelas.

Redução do estigma

Além do avanço terapêutico, os pesquisadores esperam que a descoberta ajude a reduzir o estigma associado à hiperidrose. Muitas pessoas com a condição são erroneamente vistas como ansiosas ou com má higiene. "Saber que há uma causa genética pode aliviar a culpa e a vergonha que muitos pacientes sentem", destacou o Dr. Johnson. A pesquisa também pode levar a testes genéticos que permitam o diagnóstico precoce e intervenções personalizadas.

O estudo representa um marco na compreensão da hiperidrose e promete transformar o manejo da condição nos próximos anos, beneficiando milhões de pessoas em todo o mundo.

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