Roberto Abrahão, engenheiro da computação e maratonista amador, criou um programa que identifica corredores que cortam caminho em maratonas. O sistema analisa dados de cronometragem e já levou à desclassificação de participantes em diversas provas ao redor do mundo.
Como funciona o sistema
O programa calcula a velocidade dos corredores entre os pontos de medição da maratona. Se um atleta apresenta uma velocidade incompatível com a capacidade humana — como um ritmo para quebrar o recorde mundial —, o sistema sinaliza a suspeita. Roberto também verifica casos de corredores que perdem os tapetes de cronometragem, indicando possível corte de caminho.
Roberto posta suas análises no perfil UmGolpePorMilha, no Instagram. O primeiro vídeo, publicado em 24 de março de 2026, analisou a Maratona de Tóquio e apontou 22 casos suspeitos. Desde então, ele já examinou provas em Los Angeles, Roma, Paris, Boston, Londres, Madri, Praga, Copenhagen, Rio, Barcelona, Milão, Porto Alegre e Lima.
Fraude global
Roberto ressalta que a trapaça não é exclusiva do Brasil. Em suas análises, identificou corredores de todas as nacionalidades cortando caminho. "Todo mundo sabe que tem alguém que corta caminho. E os dados estão lá disponíveis para qualquer um ver", afirma. O engenheiro mantém o anonimato dos infratores nos vídeos, focando em pressionar as organizações para tratar os casos com mais seriedade.
Inspiração e trajetória
Roberto começou a correr inspirado por um tio que correu a São Silvestre. Após se mudar para Boston em 2018, decidiu treinar para sua primeira maratona. "Eu nem sabia que era preciso ter índice para se inscrever nessa prova. Chequei, era um tempo absurdo", conta. Ele optou por correr sua primeira maratona na Filadélfia, em 2021, que não exigia índice.
Antes do perfil de corrida, Roberto criou o UmGolpePorDia, que alerta sobre golpes digitais. O perfil surgiu após sua mãe cair em um golpe. "Não que eu seja o melhor especialista do mundo, mas eu podia ajudar, dar algumas dicas para beneficiar a população", diz. O perfil alcançou 200 mil seguidores em quatro meses.
Resultados e impacto
Com o sucesso do novo perfil, organizadores de corridas começaram a procurar Roberto. Antes, ele era ignorado ao entrar em contato; agora, após os vídeos, as organizações o procuram para tratar os casos. "Está sendo excelente. Vejo a importância que as pessoas dão para o esporte e acabaram valorizando esse trabalho", comemora.
Roberto não pretende comercializar o sistema. "Acho que estou fazendo algo bom para o esporte, e ver os primeiros resultados positivos já está me deixando bastante contente", afirma. Ele já planeja expandir as análises para identificar outras fraudes, como homens correndo com número de peito de mulheres, jovens com número de idosos, ou corredores usando dois números simultaneamente.



