Invasão hacker expõe fragilidades no sistema de alertas da Defesa Civil
Invasão hacker expõe falhas em alertas da Defesa Civil

Milhões de brasileiros foram surpreendidos por um 'alerta extremo' em seus celulares na noite de sexta-feira e na madrugada de sábado. Desta vez, porém, não havia tempestades, enchentes, rajadas de vento nem ondas de calor a comunicar: o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil foi alvo de uma invasão hacker e disparou, indevidamente, ao menos dez mensagens com os textos 'misantropia', 'ataque alienígena' e 'humanos, chegamos'.

Piada de mau gosto expõe vulnerabilidades

Passado o susto inicial, o episódio virou motivo de piada. Trata-se, no entanto, de uma brincadeira de péssimo gosto – ademais, perigosa – que atingiu brasileiros em sete Estados, entre eles São Paulo e Rio de Janeiro, além do Distrito Federal. O incidente foi grave. Mas, se serviu para alguma coisa, foi para expor vulnerabilidades preocupantes do sistema.

Hacker revela falhas de segurança

Em entrevista ao TecMundo/Estadão, o hacker que assumiu a autoria da invasão revelou como há falhas substanciais a serem corrigidas pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil na gestão da ferramenta. Segundo seu relato, o acesso ao sistema foi obtido por meio de credenciais e da quebra de senhas de servidores públicos da Defesa Civil do Pará – senhas fracas, óbvias. As fragilidades do sistema, portanto, foram mais do que expostas, foram ridicularizadas.

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Ação das autoridades e investigação

As autoridades federais agiram corretamente ao tirar o sistema do ar para conter novos ataques cibernéticos. A Polícia Federal abriu investigação. Espera-se que ela seja conduzida com celeridade e, sobretudo, com rigor na punição dos responsáveis. O episódio, contudo, carrega um efeito pedagógico que vai além do caso policial: ficou evidente que o governo federal, em parceria com os demais entes federados que integram o sistema, precisará revisar e aprimorar seus protocolos de segurança.

Credibilidade do sistema em jogo

Afinal, o atributo mais elementar de qualquer ferramenta de alertas climáticos é justamente a sua credibilidade. Em muitos casos, o respeito da população pelos alertas é, literalmente, questão de vida ou morte. Um plano criterioso deverá ser implementado para tornar mais rigorosos os controles de acesso e uso do sistema. Mas a crise abre também uma oportunidade de refinamento mais amplo.

Descompasso crônico banaliza alertas

Não é incomum que a população receba alertas de chuvas fortes quando a água já está prestes a cair, sem tempo hábil para reação – ou que avisos de tempestades se dissipem sem que nenhuma delas chegue. Esse descompasso crônico banaliza a ferramenta e corrói, silenciosamente, sua credibilidade. O ataque hacker arranhou de forma inequívoca a reputação do sistema de alertas.

Oportunidade para recalibrar o sistema

Mas, além de restaurá-la, as autoridades têm agora a oportunidade de recalibrá-lo e torná-lo mais eficaz. Já existe tecnologia de georreferenciamento capaz de aumentar a precisão dos disparos – e ela deve ser adotada. Quando um alerta for emitido, os cidadãos precisam ter a certeza de que devem agir imediatamente. Restituir a segurança e a credibilidade do sistema nacional de alertas da Defesa Civil é uma tarefa urgente. Seu adequado funcionamento protege o maior de todos os bens: a vida.

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