Golpistas têm utilizado videochamadas e links maliciosos para obter acesso remoto a dispositivos móveis e, consequentemente, a aplicativos bancários. A técnica explora a confiança da vítima e a falta de verificação de identidade, permitindo que criminosos realizem transações financeiras sem autorização.
Como funciona o golpe de acesso remoto
O golpe geralmente começa com uma ligação de vídeo ou uma chamada telefônica falsa. O criminoso se passa por um funcionário de banco, de uma empresa de tecnologia ou até mesmo de uma central de suporte. Durante a conversa, ele solicita que a vítima instale um aplicativo de acesso remoto, como AnyDesk ou TeamViewer, ou clique em um link que leva a uma página falsa. Uma vez que o aplicativo é instalado ou o link é acessado, o golpista ganha controle total do aparelho, podendo visualizar telas, digitar comandos e acessar aplicativos bancários.
Riscos e consequências
Com o acesso remoto, o criminoso pode realizar transferências, pagamentos e até mesmo contratar empréstimos em nome da vítima. As transações são frequentemente direcionadas para contas de laranjas, abertas com documentos falsos ou de terceiros. A apuração do banco deve comparar o histórico de transações do cliente com seu perfil de uso e verificar se as contas que receberam os valores foram abertas e mantidas conforme as regras do Banco Central.
Sinais de alerta para identificar o golpe
Desconfie de chamadas inesperadas que solicitem a instalação de qualquer software. Bancos legítimos nunca pedem que o cliente instale aplicativos de acesso remoto ou forneça senhas por telefone ou vídeo. Outros sinais incluem pressão para agir rapidamente, promessas de prêmios ou soluções de problemas inexistentes, e links encurtados ou com domínios suspeitos.
O que fazer se for vítima
Caso suspeite que caiu no golpe, desligue imediatamente o dispositivo da internet e entre em contato com o banco para bloquear a conta e cancelar cartões. Registre um boletim de ocorrência e notifique o Banco Central por meio do site ou aplicativo. É fundamental preservar todas as evidências, como números de telefone, capturas de tela e mensagens trocadas.
Responsabilidade dos bancos e do Banco Central
Segundo a Resolução BCB nº 4.753, as instituições financeiras são responsáveis por reparar danos causados por falhas de segurança, a menos que comprovem culpa exclusiva do cliente. O Banco Central exige que os bancos implementem mecanismos de segurança robustos e monitoramento de transações atípicas. Em casos de fraude, o cliente pode solicitar o estorno dos valores, e o banco deve investigar se houve conivência ou negligência.
Prevenção: como se proteger
Nunca atenda chamadas de números desconhecidos que peçam informações pessoais. Mantenha o sistema operacional e os aplicativos atualizados, e utilize autenticação de dois fatores sempre que possível. Desconfie de links recebidos por mensagem, mesmo que pareçam vir de fontes confiáveis. Para suporte técnico, procure canais oficiais do banco ou da empresa.
Especialistas em segurança digital recomendam ainda que os usuários evitem salvar senhas no navegador e utilizem gerenciadores de senhas. Além disso, é importante configurar limites de transações e alertas para movimentações acima de determinado valor. A conscientização é a principal ferramenta contra esse tipo de crime.



