O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou na manhã desta segunda-feira (27) o velório do ex-ministro Octávio Gallotti, que morreu no último sábado (25) aos 92 anos. A cerimônia, restrita a familiares e convidados, ocorreu no Plenário da Corte, em Brasília, e contou com a presença de ministros atuais e aposentados, além de autoridades dos Três Poderes.
Homenagens no Plenário do STF
O caixão de Gallotti foi coberto pela bandeira nacional e posicionado no centro do Plenário, onde ele proferiu centenas de votos ao longo de três décadas. O presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, abriu a cerimônia com um discurso emocionado. "Octávio Gallotti foi um jurista exemplar, que dedicou sua vida à Justiça e ao direito. Sua contribuição para a consolidação do Estado Democrático de Direito é imensurável", afirmou Barroso.
Além de Barroso, compareceram os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, André Mendonça, Nunes Marques, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Também estiveram presentes ministros aposentados, como Celso de Mello e Marco Aurélio Mello, colegas de Gallotti na Corte.
Presença de autoridades dos Três Poderes
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, enviou uma representação oficial, chefiada pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o presidente da Câmara, Arthur Lira, também marcaram presença. "Gallotti foi um magistrado que marcou época. Sua ausência deixa uma lacuna no pensamento jurídico brasileiro", declarou Pacheco.
Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Ministério Público Federal e de tribunais superiores também prestaram homenagens. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, destacou a "retidão e independência" de Gallotti.
Trajetória de 30 anos no STF
Octávio Gallotti foi nomeado para o STF em 1986 pelo presidente José Sarney e aposentou-se em 2016, após completar 70 anos. Durante sua carreira, foi relator de casos emblemáticos, como a ação que definiu a competência da Justiça do Trabalho para julgar causas envolvendo servidores públicos. Segundo dados da Corte, ele proferiu mais de 40 mil decisões.
O velório seguiu até as 14h, quando o corpo foi trasladado para o cemitério Campo da Esperança, em Brasília, para o sepultamento. A cerimônia contou com honras militares e salva de tiros, conforme o protocolo reservado a ex-ministros do STF.
Legado e memória
O ministro Gilmar Mendes, em entrevista à imprensa, lembrou a "elegância intelectual" de Gallotti. "Ele era um homem de grande cultura, que sempre defendia o direito com serenidade e firmeza. Seu legado permanecerá vivo nas ementas de seus votos", afirmou. A viúva do ex-ministro, dona Maria Helena Gallotti, agradeceu as homenagens e disse que a família se sente "acolhida pelo carinho de todos".



