A Polícia Federal interceptou mensagens trocadas entre o ex-sócio do Grupo Master e a esposa do senador Jaques Wagner (PT-BA) a respeito de uma viagem de helicóptero à Ilha da Paixão, na Bahia. O relatório menciona deslocamento aéreo, agradecimentos e aponta que o episódio integra uma relação de proximidade entre o parlamentar e o empresário Augusto Ferreira Lima.
Conteúdo das mensagens
Nas conversas obtidas pela PF, a esposa de Wagner relata detalhes do passeio, que incluiu traslado de helicóptero até o destino paradisíaco. As mensagens incluem expressões como “tudo lindo” e manifestações de gratidão pelo oferecimento do voo. O material foi anexado a um inquérito que investiga possíveis irregularidades envolvendo o senador e o empresário.
Segundo a PF, a troca de mensagens não deixa dúvidas sobre a intimidade entre as partes: o ex-sócio do Master é próximo de Augusto Ferreira Lima, que por sua vez mantinha vínculos com Wagner. A viagem teria ocorrido em 2023, mas só agora veio a público por meio do relatório policial.
Relação de proximidade
O documento da Polícia Federal destaca que esse tipo de cortesia – como o uso de helicóptero particular – seria um indício de um relacionamento estreito entre o senador e o empresário. A investigação busca esclarecer se houve tráfico de influência ou favorecimento ilícito em troca dos benefícios.
Procurado, o senador Jaques Wagner negou qualquer irregularidade. Em nota, afirmou que a viagem foi um convite pessoal, sem contrapartida, e que sua esposa apenas registrou o momento. A defesa do ex-sócio do Master também se manifestou, dizendo que as mensagens são de caráter privado e não configuram crime.
Impacto político
O caso ganhou repercussão no Congresso, onde parlamentares de oposição já pedem a abertura de uma CPI para investigar as relações entre políticos e empresários na Bahia. A base governista, por outro lado, classifica o episódio como tentativa de desgastar a imagem do senador, que é uma das lideranças do PT no estado.
Até o momento, a PF não divulgou se o helicóptero utilizado estava registrado em nome de alguma empresa ou se havia qualquer tipo de irregularidade na operação do voo. O inquérito segue sob sigilo, mas novas diligências estão previstas para as próximas semanas.



