Em Oriximiná, no oeste do Pará, um grupo de 30 mulheres, todas mães de família, está desafiando estatísticas e preconceitos ao ocupar canteiros de obras para aprender o ofício em um curso profissionalizante. Elas são as protagonistas do projeto 'Educação pela Amazônia', que oferece formação em Pedreiro de Alvenaria e Carpintaria de Construção Civil, áreas tradicionalmente dominadas por homens.
O programa visa não apenas o aprendizado técnico, como levantar paredes ou estruturar telhados, mas também promover impacto direto na autonomia das participantes. Segundo a coordenadora Isabele Silva Vasconcelos, a jornada tem sido positiva: muitas chegaram sem experiência e hoje executam atividades com mais segurança e confiança. 'Temos visto grande empenho e dedicação. O curso fortalece a autoestima e a independência, mostrando que elas são capazes de ocupar qualquer espaço no mercado de trabalho', destacou.
Muitas participantes são chefes de família que veem na construção civil uma oportunidade de independência financeira. Rosimeire Nascimento, 54 anos, viúva, disse que o curso preencheu uma lacuna em seu conhecimento. 'Aprendi coisas que não sabia, como misturar massa para reboco e chapisco. Espero que mais oportunidades como essa venham para Oriximiná', afirmou.
Jandira Pereira Silva, 39 anos, mãe-solo, abraçou a chance de se inserir no mercado de trabalho. 'Não é só homem que pode trabalhar como pedreiro, mulher também pode. Aprendi a rebocar, assentar tijolo e preparar massa', contou. Jaiane Tavares, 36 anos, destacou que o conhecimento pode ser aplicado tanto no trabalho quanto no dia a dia. 'A gente precisa aperfeiçoar o conhecimento. As dificuldades vêm, mas estamos aqui para enfrentar e fazer acontecer', disse.
Angelina Barboza Costabili, 47 anos, também chefe de família, está entusiasmada com o aprendizado e espera mais cursos para ampliar o conhecimento. A iniciativa é executada pelo Centro de Estudos Sociais Interestadual (CES).



