Flávio Bolsonaro diz que aceitará resultado se TSE for imparcial
Flávio diz que aceitará resultado se TSE for imparcial

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou em entrevista ao programa Canal Livre, da rede Bandeirantes, que pretende aceitar o resultado das urnas na eleição deste ano. A condição, segundo ele, é que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atue de forma imparcial – comportamento que, na avaliação do senador, não ocorreu no pleito de 2022. A entrevista foi gravada com antecedência e será exibida pela BandNews TV e pela Band em horários distintos: 20h e 22h, respectivamente.

Em trecho divulgado previamente, Flávio aparece dizendo: “Eu vou aceitar. Eu vou concorrer com essas regras e tenho certeza que o TSE, diferente de 2022, vai ser um TSE imparcial e que vai tomar todas as providências para que essa eleição ocorra com mais segurança e mais transparência”.

A declaração é vista como uma tentativa de Flávio de conciliar o discurso de desconfiança no processo eleitoral com a necessidade de demonstrar compromisso com as regras democráticas. Para aliados, a fala sinaliza um aceno ao eleitorado moderado, enquanto críticos apontam que a condição imposta ainda reflete um questionamento sobre a legitimidade do sistema.

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Críticas à economia e promessa de corte de impostos

Na mesma entrevista, o candidato também fez duras críticas à política econômica do governo atual. “O governo atual endividou o povo brasileiro”, afirmou. Ele atribuiu ao governo Lula o aumento da carga tributária e prometeu, se eleito, implementar o maior corte de impostos da história do Brasil. De acordo com a Band, essas declarações reforçam o discurso de que o atual governo é responsável pelo endividamento e pela alta de tributos.

A promessa de corte de impostos é um dos pilares da campanha do PL, que tenta atrair eleitores insatisfeitos com a economia. O partido aposta em uma plataforma liberal-conservadora, com redução do Estado e desburocratização. Flávio, porém, não detalhou como faria o maior corte de carga tributária da história, o que pode gerar questionamentos sobre o impacto fiscal das medidas.

Correção sobre a Smartmatic e defesa das urnas eletrônicas

Ainda durante a entrevista, Flávio reconheceu que pode ter se equivocado ao afirmar que a empresa Smartmatic teria fornecido as urnas físicas ao Brasil. As urnas são fabricadas pela Positivo Tecnologia. Ele manteve, porém, que a Smartmatic teria participado de etapas do processo, como treinamento de técnicos. A correção ocorre em meio a um histórico de questionamentos de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre a segurança das urnas eletrônicas.

O sistema eletrônico de votação brasileiro é auditável e foi utilizado em diversos pleitos sem que fossem comprovadas fraudes. A discussão sobre fornecedores, no entanto, tem sido frequente no debate político. Ao reenquadrar sua posição, Flávio busca sustentar a narrativa de que defende a transparência do processo, sem necessariamente desacreditar o instrumento de votação.

Segurança pública: pena mínima de 8 anos para furto de celular

Na área de segurança pública, o senador defendeu o endurecimento de penas para crimes patrimoniais urbanos. A proposta central é quadruplicar a pena mínima para furto e roubo de celular e receptação, que passaria a ser de 8 anos. “Eu vou quadruplicar a pena mínima para furto de celular ou receptação. Então, a pena mínima vai ser de 8 anos para vagabundo que rouba, que assalta por causa do celular. E quando ficar preso, e vai ficar preso, vai trabalhar. Vai trabalhar para pagar a sua estadia”, disse Flávio.

A medida é apresentada como uma forma de combater a criminalidade e impor responsabilidade aos condenados. Especialistas em segurança pública, no entanto, costumam alertar que o aumento de pena, por si só, não tem impacto significativo na redução da violência e pode agravar a superlotação do sistema prisional. A proposta também inclui a obrigatoriedade de o preso trabalhar, algo que já existe em muitos presídios, mas que, na visão do candidato, deveria ser mais rígido.

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Tom elevado contra o STF e Alexandre de Moraes

No tocante ao Judiciário, Flávio elevou o tom contra o Supremo Tribunal Federal. Segundo a Band, ele classificou as medidas cautelares impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro como extrapolação de limites constitucionais. O candidato comparou a proibição de manifestações políticas a restrições típicas de períodos de exceção, com menção ao AI-5, ato institucional do regime militar.

A menção ao AI-5 escancara um discurso de confronto com o STF e com o ministro Alexandre de Moraes, que é um dos principais alvos da ala bolsonarista. Flávio também já se referiu ao ministro em outras ocasiões de forma crítica. A postura pode mobilizar suas bases, mas também aumenta a tensão com os demais poderes, e deve pautar parte das reações à entrevista nas redes sociais.

A entrevista completa será exibida na noite desta segunda-feira e deve gerar novos capítulos na corrida presidencial. As declarações reforçam a estratégia de Flávio de se posicionar como o principal nome da direita, mantendo o tom combativo contra o governo e o Judiciário.