TCU aponta inconstitucionalidade do orçamento secreto e fortalece ação no STF
TCU aponta inconstitucionalidade do orçamento secreto e fortalece ação no STF

O Tribunal de Contas da União (TCU) emitiu um parecer, aprovado por unanimidade, que aponta ilegalidades no chamado orçamento secreto, instrumento usado pelo governo Jair Bolsonaro para comprar apoio parlamentar. O documento, que integra a prestação de contas da Presidência de 2021, afirma que as emendas de relator-geral (RP-9) violam a Constituição, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei Complementar 141.

Segundo os auditores do TCU, o orçamento secreto fere três princípios constitucionais: universalidade, transparência e realismo orçamentário. Além disso, a prática provoca aumento da dívida pública, pois recursos de despesas obrigatórias são desviados para cobrir as emendas parlamentares. O relatório também destaca que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) passou a permitir o empenho de verbas sem projetos ou licenças ambientais, comprometendo a gestão fiscal.

O parecer detalha que as emendas de relator-geral não respeitam as restrições constitucionais para alterar o orçamento, incluindo novas programações de gastos além de sua finalidade original de corrigir erros ou omissões. A Resolução nº 2 do Congresso Nacional, de dezembro de 2021, também foi considerada insuficiente para superar as restrições do artigo 166 da Constituição.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Os auditores ainda apontam descumprimento de ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para dar ampla publicidade aos documentos que embasaram a distribuição das emendas RP-9 em 2020 e 2021. O parecer do TCU serve como base jurídica para que o STF declare a inconstitucionalidade do orçamento secreto, aumentando a pressão sobre o Congresso Nacional.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar