Após ser indiciado pela Polícia Federal sob suspeita de tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seus filhos e correligionários passaram a classificar o inquérito como uma forma de perseguição política. Nos últimos dias, Bolsonaro contou com antigos aliados para minimizar a solidez das investigações, tanto a que provocou o indiciamento quanto a que levou à prisão de militares suspeitos de planejar a morte do presidente Lula (PT) em 2022.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem compartilhado vídeos insinuando atuação de Lula por trás das investigações. Em um deles, visto mais de 100 mil vezes no X (antigo Twitter), o senador distorceu uma fala de Lula, que aparece dizendo 'quando se quer dar um golpe se constrói uma narrativa'. O discurso, feito em abril de 2022, fazia referência ao período em que o petista esteve preso em 2018.
O ministro do STF Alexandre de Moraes foi alvo da primeira declaração pública de Bolsonaro após o indiciamento na quinta-feira (21). O ex-presidente acusou o magistrado de fazer 'tudo o que não diz a lei'. No sábado (23), Bolsonaro disse que a prisão preventiva dos quatro oficiais suspeitos de tramar a morte de autoridades não tinha respaldo legal e que as acusações de golpe de Estado pela Polícia Federal são absurdas, referindo-se a Moraes como ditador.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em rede social, se referiu à polícia como 'PF de Moraes'. O ex-ministro da Defesa e candidato a vice na chapa de Bolsonaro, general Braga Netto, compartilhou um comunicado de seus advogados dizendo haver uma ilação e suposição fora do contexto do inquérito legal. 'Nunca se tratou de golpe, e muito menos de plano de assassinar alguém', escreveu no sábado.
Eduardo, Carlos e Flávio Bolsonaro publicaram diversos posts rebatendo notícias sobre o inquérito. Em vídeo, Eduardo associa Bolsonaro a Donald Trump, dizendo que, assim como o ex-presidente dos EUA foi eleito neste ano, seu pai, que está inelegível até 2030, voltará ao poder em 2026. O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) chamou o inquérito de 'maluquice'.



