Projeto de revitalização urbana no Centro do Rio é sancionado
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), sancionou nesta quinta-feira (9) a lei que cria o Praça Onze Maravilha, um ambicioso plano de revitalização urbana para uma área de 2,5 milhões de metros quadrados no Centro da cidade. O projeto prevê intervenções estruturais, novos equipamentos culturais e a reocupação residencial de parte da região, com investimento estimado em R$ 1,75 bilhão, totalmente financiado por capital privado por meio de concessões, PPPs e instrumentos urbanísticos, segundo a Prefeitura do Rio.
"Esse lugar precisa prosperar, precisa produzir um olhar para o futuro que inclua os moradores. Queremos produzir qualidade urbana, produzir bairro, cidade", afirmou Cavaliere durante a cerimônia de assinatura.
Demolição do Viaduto 31 de Março e novo desenho urbano
Uma das principais ações do projeto é a demolição do Viaduto 31 de Março, que atualmente corta a região e, segundo a prefeitura, impede conexões entre o Centro, Estácio e Catumbi. A demolição está prevista para 2027, inspirada na derrubada do Viaduto da Perimetral, na região do Porto. A retirada da estrutura abrirá caminho para a remodelação completa do entorno do Sambódromo e para a instalação de novos serviços, áreas verdes, moradias e equipamentos públicos.
O plano inclui a abertura de novas vias, melhoria da circulação e a implantação de um mergulhão entre as ruas Frei Caneca e Salvador de Sá, sobre o qual será construída uma praça. O objetivo é simplificar os deslocamentos e restabelecer conexões interrompidas há décadas pela construção do viaduto.
Revitalização do Sambódromo e novos espaços culturais
No entorno da Marquês de Sapucaí, as calçadas serão ampliadas, ganhando nova iluminação, reforço de drenagem e áreas verdes. O Sambódromo será mantido, mas receberá acessos modernizados e melhor estrutura de apoio para o Carnaval e para o uso cotidiano. O projeto prevê que áreas hoje subutilizadas sejam reocupadas com novas edificações residenciais, comércio e serviços no térreo, gerando fluxo permanente de moradores e visitantes.
O destaque cultural fica por conta da Biblioteca dos Saberes, projetada pelo arquiteto Diébédo Francis Kéré, vencedor do Prêmio Pritzker. Com mais de 40 mil m², o edifício terá pilotis, cobogós, jardins suspensos e uma torre circular aberta à luz natural. A biblioteca reunirá teatro, anfiteatro, cozinhas, salas de estudo, áreas expositivas e acervos voltados à memória, patrimônio e expressões populares. O espaço ocupará o local onde hoje funciona o Terreirão do Samba, ao lado do monumento a Zumbi dos Palmares, integrando-se a iniciativas culturais da Pequena África. A prefeitura acredita que o edifício será o principal legado do programa Rio Capital Mundial do Livro e promoverá novos modelos de mediação cultural, conectando bibliotecas públicas e comunitárias.
Unidades residenciais e modelo de financiamento
A prefeitura enviará à Câmara Municipal um projeto de lei criando a Área de Especial Interesse Urbanístico (AEIU) Praça Onze Maravilha, abrangendo 2,5 milhões de metros quadrados nos bairros Catumbi, Estácio, Cidade Nova e Praça Onze. Segundo o plano, a AEIU permitirá a construção de 37,5 mil unidades residenciais em 25 anos, com potencial para atrair mais de 100 mil moradores.
O modelo de viabilidade econômica combina concessões, PPPs, venda de potencial construtivo, pagamento de outorga onerosa e criação de um fundo imobiliário com imóveis públicos. A prefeitura informou que o projeto será debatido em audiência pública ainda este ano e encaminhado ao Legislativo até dezembro.
Integração com o Porto Maravilha e ilha flutuante
O plano se integra às intervenções em andamento no Porto Maravilha, onde será construída a primeira ilha flutuante do Parque do Porto, próxima ao Museu do Amanhã. A estrutura terá mais de 16,8 mil m², com praça gastronômica, quiosques e restaurantes, arena de eventos, jardim escultório, parque lúdico, marina e deck flutuante. O município afirma que essa expansão reforça o corredor cultural e ambiental que conecta o Cais do Valongo, a Pedra do Sal, a Praça Onze e o Sambódromo.
O objetivo do projeto Praça Onze Maravilha, segundo o município, é transformar a região em um eixo de mobilidade, habitação e cultura, aproveitando a infraestrutura existente e incentivando o retorno de moradores para áreas centrais da cidade.



