As executivas estaduais do União Brasil e do Progressistas no Ceará ingressaram com ação no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) para anular a convenção da Federação União Progressista, formada pelos dois partidos. No último domingo (26), a federação aprovou apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do estado, enquanto os partidos, em convenções separadas, declararam apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT).
Disputa pelo controle da federação
A federação foi criada em 2025 com validade até 2029, mas a Executiva nacional liberou as executivas estaduais para apoiar candidatos locais. No Ceará, a federação é presidida pelo ex-deputado federal Capitão Wagner (União), opositor de Elmano. Já os presidentes estaduais dos partidos, AJ Albuquerque (Progressistas) e Moses Rodrigues (União), são aliados do governador.
Na convenção da federação, além do apoio a Ciro, foi lançado o nome do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (União), como vice, e Capitão Wagner como candidato ao Senado. Horas depois, em convenções separadas no mesmo prédio, União Brasil e Progressistas decidiram apoiar Elmano, criando um racha singular: o União Brasil, que tem um filiado como vice de Ciro, apoia o concorrente.
O que está em jogo
A briga judicial pode definir o uso dos recursos da federação, como tempo de televisão e fundo partidário. Como a federação funciona como um único partido por no mínimo quatro anos, ela administra esses recursos. Mesmo que os partidos individualmente apoiem Elmano, a decisão da federação direciona os recursos para a campanha de Ciro.
Segundo as executivas estaduais, a ata da convenção da federação deve ser anulada por irregularidades. O TRE-CE julgará o pedido. Em maio, a Justiça Eleitoral já confirmou Capitão Wagner como presidente da federação, indicando a disputa interna.
Diferença entre federação e coligação
Federações são diferentes de coligações. Enquanto coligações são temporárias e só valem para cargos majoritários, federações exigem união por quatro anos, funcionando como partido único no Congresso. Isso permite unir forças para eleger deputados, mas também gera conflitos como este no Ceará.
O racha não é novo. Há meses, apoiadores e opositores de Elmano disputam o controle dos partidos e da federação. A decisão judicial sobre a convenção poderá ter impacto nas eleições de 2026, definindo qual candidato receberá os recursos da federação.



