A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Prefeitura do Rio de Janeiro estruturou um núcleo especializado para conter as investidas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) junto ao eleitorado evangélico. A informação é da coluna de Bela Megale, que apurou nos bastidores da corrida eleitoral carioca.
Estratégia de campanha
O núcleo, batizado internamente de 'Grupo de Ação Evangélica', será coordenado por pastores próximos ao senador e contará com a participação de vereadores e deputados estaduais aliados. Segundo a coluna, a iniciativa busca responder às recentes movimentações de Lula, que tem intensificado encontros com lideranças religiosas e prometido pautas de interesse do segmento.
Flávio Bolsonaro, que busca se consolidar como herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), vê no eleitorado evangélico uma base crucial. Pesquisas internas da campanha indicam que cerca de 40% dos evangélicos do Rio ainda estão indecisos, tornando o grupo alvo prioritário.
Disputa pelo voto evangélico
O eleitorado evangélico, que representa aproximadamente 30% da população brasileira, é historicamente disputado por candidatos conservadores. Lula, no entanto, tem avançado nesse segmento desde o início de seu terceiro mandato, em 2023, ao adotar um discurso mais moderado em temas como costumes e liberdade religiosa.
De acordo com analistas políticos, a ofensiva de Lula preocupa a família Bolsonaro, que sempre teve forte penetração nas igrejas neopentecostais. O núcleo criado por Flávio pretende reforçar o contato direto com pastores e realizar eventos em templos, além de produzir conteúdo digital focado em valores cristãos.
Uma das primeiras ações do grupo foi a elaboração de um dossiê sobre as promessas de Lula aos evangélicos, comparando-as com seu histórico de governo. “Vamos mostrar que o presidente não cumpriu o que prometeu em 2022”, disse um coordenador da campanha, sob reserva.
Trocas de apoio nos estados
A coluna também revelou que Flávio Bolsonaro e Lula estão negociando trocas de candidaturas em estados-chave para angariar apoio de partidos aliados. No Rio de Janeiro, por exemplo, o PL de Flávio pode abrir mão de lançar candidato próprio ao governo do estado em troca do apoio do PT à sua prefeitura. Em contrapartida, Lula buscaria o apoio do PL em outras regiões para fortalecer sua base no Congresso.
Essas negociações, ainda em fase embrionária, evidenciam a complexidade do tabuleiro eleitoral de 2024. O núcleo evangélico de Flávio atuará para garantir que essas alianças não prejudiquem a imagem do candidato entre os fiéis.
Impacto na corrida eleitoral A iniciativa de Flávio Bolsonaro ocorre em um momento em que as pesquisas mostram empate técnico com o atual prefeito Eduardo Paes (PSD), que também corteja os evangélicos. A criação do núcleo pode ser um diferencial, mas especialistas alertam para o risco de radicalização do discurso religioso.
“A campanha precisa equilibrar a defesa de pautas conservadoras com a atração de eleitores moderados”, avalia o cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio. Até o fechamento desta edição, a coordenação da campanha de Flávio não comentou oficialmente a criação do núcleo.



