O vereador Osmar Ricardo, presidente do PT do Recife, anunciou sua licença do cargo para apoiar a reeleição de Raquel Lyra (PSD) ao governo de Pernambuco. A decisão, segundo Ricardo, visa evitar 'conflitos internos' diante da aliança nacional do PT com o ex-prefeito da capital, João Campos (PSB), na corrida pelo Executivo estadual.
Detalhes da licença e justificativa
Em declaração à imprensa, Osmar Ricardo explicou que a licença é uma forma de não prejudicar a unidade partidária. 'Não quero que minha posição pessoal crie atritos dentro do PT, especialmente num momento em que precisamos estar unidos para as eleições municipais', afirmou. Ele criticou a influência do PSB sobre o PT e questionou a eficácia dos projetos em Recife. 'O PSB tem pautado a aliança de forma unilateral, e isso enfraquece a identidade do partido', completou.
Contexto político em Pernambuco
A situação reflete a complexa dinâmica política do estado, onde o PT nacional, liderado pelo presidente Lula, apoia João Campos, enquanto setores locais preferem Raquel Lyra. Lula tem evitado estados com 'palanques duplos', como Pernambuco, e já expressou apoio a Campos, apesar das tensões internas. Em 2024, o PT federal destinou R$ 2,3 milhões para a campanha de Campos, enquanto candidatos do partido em outras regiões receberam menos.
A decisão de Osmar Ricardo ocorre em meio a pesquisas que mostram empate técnico entre Raquel Lyra e João Campos. Segundo levantamento do Datafolha de julho de 2026, Lyra tem 48% das intenções de voto contra 45% de Campos, margem de erro de 2 pontos percentuais.
Reações e impactos
O presidente estadual do PT, Luiz Sérgio, lamentou a saída de Ricardo, mas afirmou respeitar a decisão. 'É uma perda, mas compreendemos que cada um deve seguir sua consciência política', disse. Já a campanha de Raquel Lyra comemorou o apoio. 'A chegada de Osmar Ricardo reforça nossa candidatura e mostra que a aliança com o PT não é unânime', declarou a coordenadora de comunicação, Ana Paula.
Analistas apontam que a licença pode enfraquecer a máquina partidária do PT em Recife, mas também abre espaço para novas lideranças. Especialistas estimam que cerca de 40% dos filiados do PT na capital pernambucana apoiam a candidatura de Lyra, o que justifica a movimentação de Ricardo.
Próximos passos
Com a licença, a vice-presidente do PT Recife, Maria do Carmo, assume interinamente a presidência até a convenção partidária marcada para agosto. A expectativa é que o PT local decida oficialmente seu apoio ao candidato do PSB, mas a ala de Ricardo promete continuar militando por Lyra.
O caso de Osmar Ricardo é o terceiro episódio de dissidência interna no PT pernambucano em 2026, evidenciando a fragmentação do partido no estado.



