O governo central registrou um déficit primário de R$ 48,2 bilhões em junho de 2026, o pior resultado para o mês desde 2020, de acordo com dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira (30). O valor superou as expectativas do mercado, que projetava um rombo de cerca de R$ 42 bilhões.
Composição do déficit
O resultado negativo foi puxado por uma queda de 3,2% na arrecadação real em relação a junho de 2025, enquanto as despesas totais cresceram 5,1% no mesmo período. As receitas somaram R$ 173,5 bilhões, enquanto as despesas alcançaram R$ 221,7 bilhões. O déficit acumulado no primeiro semestre de 2026 chega a R$ 185,4 bilhões, ante R$ 142,1 bilhões no mesmo período do ano anterior.
Declaração oficial
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o resultado reflete o aumento de gastos obrigatórios e a desaceleração econômica. "Estamos enfrentando um cenário de arrecadação abaixo do esperado, combinado com despesas previdenciárias e assistenciais em alta. Precisamos de medidas estruturais para reequilibrar as contas", disse Ceron em coletiva de imprensa. Ele também destacou que o governo trabalha para aprovar o novo arcabouço fiscal no Congresso.
Impacto nas contas públicas
O déficit de junho pressiona ainda mais o cumprimento da meta fiscal de 2026, que prevê déficit zero para o governo central. Analistas consultados pela pesquisa Prisma Fiscal indicam que a probabilidade de o governo encerrar o ano com déficit acima do teto de 1% do PIB aumentou para 60%. O resultado também eleva a dívida bruta do setor público, que deve ultrapassar 78% do PIB até o fim do ano.



