Receita: 2,2 milhões de declarações de IR 2026 caem na malha fina
2,2 milhões de declarações de IR 2026 caem na malha fina

A Secretaria da Receita Federal informou nesta terça-feira (2) que aproximadamente 5% das declarações do Imposto de Renda de 2026, ano-base 2025, caíram na chamada malha fina do Leão. Isso representa cerca de 2,2 milhões de documentos com pendências. O percentual de declarações retidas, divulgado pelo supervisor do Imposto de Renda da Receita Federal, José Carlos da Fonseca, é similar ao registrado nos últimos anos.

O que significa cair na malha fina?

Quando a declaração do IR cai na malha fina, significa que ela está retida pelo Fisco devido a pendências relacionadas a discrepâncias de dados. Neste ano, o prazo de entrega do IR começou em 23 de março e se estendeu até 29 de maio. Foram entregues 44.393.571 declarações dentro do prazo legal.

Evolução das retenções ao longo do prazo

Segundo José Carlos da Fonseca, no início do período de declarações, o volume de retenções era maior do que o normal: quase 11% no final de março, enquanto o habitual é de 8% a 9%. No entanto, ao final do prazo, esse percentual se equilibrou, ficando muito semelhante ao do ano passado. Isso ocorreu devido às retificações feitas pelas empresas.

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Mudanças em 2026: fim da Dirf

O supervisor do IR classificou 2026 como um "ano de superação" por conta do fim da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf), utilizada há décadas. Com o fim da Dirf, a Receita passou a buscar informações em outras bases de dados: o e-Social, que reúne dados trabalhistas, previdenciários e tributários dos empregados, e a EFD-Reinf. Essa mudança gerou erros nas informações prestadas pelas empresas, fazendo com que milhares de contribuintes caíssem na malha fina.

"Isso acabou fazendo com que muitas declarações ficassem em malha, e a declaração pré-preenchida apresentasse informações divergentes. As informações enviadas pelas empresas continham classificações erradas. Não podemos generalizar, mas um bom número de empresas teve que retificar informações", disse o supervisor.

O que fazer se cair na malha fina

De acordo com a Receita Federal, o procedimento para quem caiu na malha fina é o mesmo dos anos anteriores:

  • O trabalhador deve acessar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) da Receita Federal na internet, utilizando a conta gov.br nos níveis prata ou ouro.
  • No serviço, procurar por "declarações e demonstrativos".
  • Em seguida, buscar "Meu Imposto de Renda" e consultar a declaração de 2026.

Ao entrar no e-CAC, a Receita Federal informará qual a divergência na declaração retida e como resolver o problema. A inconsistência pode ser resultado de informação errada do próprio contribuinte, da empresa (fonte pagadora) ou de terceiros (prestadores de serviços).

Como resolver cada caso

  • Erro do contribuinte: enviar uma declaração retificadora para corrigir a informação. Assim que feito, a declaração sai da malha fina.
  • Erro da fonte pagadora ou prestador de serviços: o contribuinte deve aguardar a retificação da informação pela empresa. Se a empresa não corrigir, o contribuinte pode enviar seus comprovantes a partir de janeiro de 2027 por meio do e-CAC.

"Normalmente, 80% dos casos de malha são resolvidos até o fim do ano. De agora até o fim do ano, 80% desses 2,2 milhões que ficarão em malha serão resolvidos por retificação de empresa ou ajustes do próprio contribuinte. Se o contribuinte acha que não errou e a empresa não corrigiu, a partir de janeiro de 2027 ele pode anexar todos os documentos e comprovantes pelo e-CAC", explicou José Carlos Martins, da Receita Federal.

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