Split Payment: nova fase da reforma tributária desafia empresas na gestão do caixa
Split Payment: nova fase da reforma tributária desafia caixa das empresas

O Split Payment, mecanismo que prevê o recolhimento automático de tributos no momento do pagamento de uma transação, inaugura uma nova fase da reforma tributária brasileira e desafia as empresas na gestão do fluxo de caixa. A medida, que faz parte da regulamentação do novo sistema tributário, promete simplificar a arrecadação, mas exige adaptações significativas por parte dos contribuintes.

Como funciona o Split Payment

O Split Payment funciona como uma espécie de 'divisão' do valor pago pelo consumidor: parte vai para o vendedor e parte é automaticamente direcionada ao fisco. Na prática, quando uma empresa recebe um pagamento por um produto ou serviço, o sistema financeiro separa o montante devido de tributos e o repassa diretamente ao governo, sem que o recurso passe pelo caixa da empresa.

Segundo especialistas consultados pela reportagem, o mecanismo reduz a possibilidade de sonegação fiscal e diminui a burocracia para as empresas, que não precisarão mais calcular e recolher tributos manualmente. No entanto, a implementação exige investimentos em tecnologia e integração de sistemas.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto na gestão de caixa

O principal desafio apontado é o impacto no fluxo de caixa das empresas. Com o Split Payment, os tributos são retidos na fonte, o que significa que as empresas perdem o controle sobre o timing do recolhimento. Isso pode afetar a liquidez, especialmente para pequenas e médias empresas que dependem de prazos de pagamento mais longos.

De acordo com a consultoria tributária Pressworks, parceira na elaboração do artigo, 'as empresas precisarão se adaptar a um novo modelo de gestão financeira, em que o caixa disponível será menor, pois os tributos serão retidos automaticamente'. A projeção é que a medida entre em vigor gradualmente a partir de 2027, com a implantação completa do novo sistema tributário.

Setores mais afetados

Setores com margens apertadas, como comércio varejista e serviços, serão os mais impactados. Empresas que operam com alta rotatividade de estoque e prazos de pagamento extensos podem enfrentar dificuldades para manter o equilíbrio financeiro. Por outro lado, o Split Payment pode beneficiar setores com alta informalidade, ao reduzir a concorrência desleal.

A reforma tributária, aprovada em 2023, unifica tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins em um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) federal e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) estadual e municipal. O Split Payment é o mecanismo escolhido para viabilizar o recolhimento desses tributos de forma automática.

Adaptação tecnológica

Para se preparar, as empresas devem investir em sistemas de gestão financeira e contábil que se integrem às plataformas de pagamento e aos sistemas da Receita Federal. A Pressworks recomenda que as companhias comecem a mapear seus processos atuais e simulem cenários com o Split Payment para identificar gargalos.

O governo federal, por meio da Receita Federal, já iniciou testes piloto com algumas empresas e instituições financeiras. A expectativa é que o sistema esteja plenamente operacional até 2028. 'É uma mudança paradigmática na forma como os tributos são arrecadados no Brasil', afirma o texto da Pressworks.

Em resumo, o Split Payment representa um avanço na modernização tributária, mas exige planejamento e investimento das empresas para evitar problemas de fluxo de caixa. A transição será gradual, e os próximos anos serão cruciais para a adaptação do mercado.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar