O Partido Democrático Trabalhista (PDT) anunciou nesta segunda-feira (20), durante convenção nacional do partido em Brasília, o apoio à pré-candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi aprovada por unanimidade entre os presentes, tornando o PDT a primeira legenda a formalizar apoio à campanha de Lula.
Convenção reúne Lula e lideranças do PDT
O evento, realizado na sede nacional do partido, contou com a presença do presidente Lula e de lideranças da sigla, como o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, que comandou o encontro. Lupi foi ministro da Previdência no terceiro mandato de Lula, mas deixou o cargo em maio de 2025 após a revelação de um esquema de fraudes e desvios de dinheiro de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O ex-ministro não foi indiciado pela Polícia Federal no relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada.
Lupi destaca união e críticas aos EUA
“Estamos somando aquilo que nos une e, porventura, em algum momento nos desuniu, esquecendo isso para olhar para frente”, afirmou Lupi. Em sua fala, ecoou críticas aos Estados Unidos e disse que Lula representa a antítese do presidente norte-americano. “Hoje nosso ato é ato de reencontro com a nossa história. De reestabelecimento do nosso caminho. Dizer ao presidente Lula que PDT não falta. Votamos Lula, votamos 13”.
Nas últimas disputas eleitorais, o PDT lançou Ciro Gomes no primeiro turno e apoiou Lula apenas na reta final da campanha. Com a mudança de Ciro para o PSDB, o PDT decidiu não lançar candidato próprio, antecipando o apoio a Lula. Ciro Gomes disputará o governo do Ceará pelo PSDB, em aliança com o PL.
Edinho Silva defende vitória de Lula como defesa da democracia
Durante o evento, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse que as eleições deste ano serão as mais importantes dos últimos anos e que a vitória de Lula sinaliza para a defesa da democracia. “Por ser hoje o presidente Lula a maior liderança do mundo democrático, nós sabemos que a vitória do presidente Lula também vai sinalizar com o mundo que é possível sim derrotar o fascismo e a ultra direita”, afirmou. O presidente do PT ainda fez críticas aos Estados Unidos e afirmou que o Brasil “não é quintal nem puxadinho dos EUA”.
Críticas a Ciro Gomes marcam discursos
O líder do PDT na Câmara, deputado André Figueiredo (CE), disse que, com a saída de Ciro Gomes da sigla, o partido voltou a ser o “PDT raiz”. “Não existe luta fácil. Mas a vitória só é mais comemorada quando a gente sua, quando a gente constrói no coletivo, e não com uma pessoa que se acha dona de tudo. Com a saída do nosso ex-companheiro Ciro, o pessoal falou que o PDT do Ceará morreu. Morreu nada. Voltamos a ser o que éramos. PDT raiz”, alfinetou Figueiredo.
Sem mencionar Ciro Gomes, a vice-presidente do PDT, Sírley Soalheiro, disse que “quem saiu do partido é que perdeu”. “As coisas mudaram. Mas eu digo aquilo que o presidente Lupi falou: nós não perdemos aquilo que nós não temos. Então, quem saiu é que perdeu. Mas, de qualquer forma, foi difícil reorganizar essa chapa. Reorganizamos e estamos aqui”, afirmou.
Na mesma linha, o ex-prefeito de Aracaju (SE), Edvaldo Nogueira, afirmou que o partido “não pode” repetir a divisão, que “foi ruim para o partido no passado”. “Não tem outro caminho que não seja a aliança que vamos construir com o presidente Lula para que a gente possa, juntos, enfrentar a barbárie, enfrentar a opressão, enfrentar a corrupção e enfrentar os desmandos que nós sabemos que foram feitos no governo Bolsonaro”, disse.
As convenções partidárias começaram nesta segunda (20) e vão até o dia 5 de agosto. Nesse período, os partidos reúnem filiados para definir os candidatos que disputarão as eleições, a formação de coligações e quais postulantes apoiarão nas urnas.



