O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no Palácio da Alvorada, em Brasília. Este foi o primeiro encontro presencial entre ambos desde que o senador foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça ligado ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Alvo da operação
A Polícia Federal aponta que Jaques Wagner atuou em defesa dos interesses do Banco Master no Congresso Nacional e, em troca, recebeu vantagens indevidas. Entre os benefícios citados estão um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, e repasses a empresas ligadas a familiares do parlamentar. Na segunda-feira (23), o líder do governo apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um recurso para anular a decisão que autorizou a busca e apreensão em sua residência. Em nota, a defesa do senador afirma que houve "erros graves" que comprometem a ação da PF.
Apreensão de dólares
Durante a operação, a PF apreendeu US$ 49 mil em espécie (cerca de R$ 250 mil na cotação do dia) em um endereço em Brasília ligado a Jaques Wagner. Segundo o senador, os dólares têm origem em diárias pagas pelo Senado em razão de viagens ao exterior realizadas como parlamentar. A explicação, no entanto, não convenceu integrantes do Palácio do Planalto. De acordo com o blog do Gerson Camarotti, a avaliação interna é que as explicações de Wagner foram "sofríveis".
Pressão para deixar o cargo
Nos bastidores, aliados do governo e do PT esperam que o senador tome a iniciativa de deixar o cargo de líder do governo no Senado rapidamente para se dedicar à sua defesa. A reunião com Lula no Alvorada é vista como um passo para discutir a situação política de Wagner e os próximos desdobramentos do caso.



