O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confundiu Mato Grosso do Sul com Mato Grosso durante discurso em Três Lagoas (MS) na manhã desta quinta-feira (25). O erro ocorreu no evento que marcou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), quando Lula falava sobre investimentos e foi corrigido por pessoas da plateia. Ao mencionar recursos destinados aos municípios, afirmou: “qualquer cidade aqui do Mato Grosso”. Participantes gritaram “do Sul”, mas o presidente não percebeu a correção e seguiu o discurso normalmente.
Obra parada há 11 anos é retomada
A cerimônia em Três Lagoas assinou contratos para conclusão da UFN-III, parada desde 2014. O empreendimento integra a estratégia do governo federal para ampliar a produção nacional de fertilizantes e reduzir dependência de importações. “Não tem explicação sobre o tempo que essa obra ficou parada. Uma coisa é você não começar uma obra, outra é você ter quase 85% da estrutura pronta e não concluir, e o Brasil pagando preços absurdos para importar fertilizantes que poderiam ser produzidos no país”, disse Lula.
Investimento bilionário e geração de empregos
Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, as obras serão retomadas em julho, com investimento superior a R$ 5 bilhões. A expectativa é gerar cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos, com início das operações previsto para 2029. A UFN-III produzirá ureia e amônia para o agronegócio, insumos dos quais o Brasil depende quase totalmente de importação. A ureia é aplicada em culturas como milho, cana-de-açúcar, trigo, arroz e café.
Qualificação profissional para moradores
Durante o evento, Magda Chambriard anunciou o programa Autonomia e Renda Três Lagoas, voltado à capacitação para futura operação da fábrica. “Estamos garantindo 8 mil postos de trabalho, entre diretos e indiretos, num lugar pequeno. Isso significa que temos que treinar pessoas”, afirmou. Serão abertas 1,4 mil vagas em cursos de formação profissional, em parceria com Sesi, Senai e institutos federais.
Histórico da UFN-III
As obras começaram em 2011, foram interrompidas em 2014 e, em 2017, a Petrobras tentou vender a unidade como parte de desinvestimentos. Após idas e vindas jurídicas, o projeto foi retomado. A previsão é produzir 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia por ano, atendendo produtores de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.



