Janja muda postura e busca aproximação com evangélicos para fortalecer Lula
Janja muda postura e busca aproximação com evangélicos

Mudança de rota em direção aos evangélicos

Janja da Silva, primeira-dama do Brasil, está reorientando sua abordagem em relação ao eleitorado evangélico, grupo que havia repelido durante a campanha de 2022. Agora, ela planeja uma reunião de grande porte em São Paulo para sinalizar abertura e diálogo, numa tentativa de melhorar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre essa parcela religiosa, que representa cerca de 30% da população brasileira, segundo dados do IBGE.

A mudança de postura ocorre após anos de distanciamento público. Em 2022, Janja foi alvo de críticas por declarações consideradas hostis ao segmento, o que teria contribuído para a resistência de líderes evangélicos à candidatura de Lula. Agora, a primeira-dama busca reverter esse quadro, apostando em encontros e gestos simbólicos.

Os obstáculos no caminho

Apesar do esforço de aproximação, posicionamentos políticos de Janja ainda geram atritos. Sua defesa enfática do projeto de lei que criminaliza a misoginia, em tramitação no Congresso Nacional, é vista com desconfiança por parte de parlamentares e pastores evangélicos, que argumentam que a proposta pode ser usada para censurar discursos religiosos. O texto, que prevê penas de até cinco anos de reclusão para atos de ódio contra mulheres, já recebeu críticas de setores conservadores.

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“A misoginia é um mal que precisa ser combatido, mas não podemos permitir que isso se torne uma arma contra a liberdade religiosa”, afirmou, em nota, a Frente Parlamentar Evangélica. Janja, por sua vez, mantém o discurso de que o projeto é necessário para proteger as mulheres, mas tenta equilibrar a pauta com gestos de conciliação.

Reunião em São Paulo: o primeiro passo

A reunião prevista para as próximas semanas na capital paulista deve reunir lideranças evangélicas de diversas denominações, incluindo pastores que apoiaram Jair Bolsonaro em 2022. A agenda inclui debates sobre políticas sociais e combate à fome – temas que Lula prioriza –, mas também servirá para Janja apresentar uma imagem mais moderada e disposta ao diálogo.

“Queremos construir pontes, não muros. O Brasil precisa de união”, disse a primeira-dama em entrevista recente a uma rádio local. A declaração, no entanto, não convenceu todos os críticos. Para o pastor Silas Malafaia, “palavras não apagam anos de desprezo”.

Impacto na imagem de Lula

A iniciativa de Janja é vista por analistas políticos como uma tentativa de mitigar o desgaste de Lula entre os evangélicos, que foram decisivos na derrota do petista em 2022 – pesquisa Datafolha de outubro daquele ano mostrou que 57% dos evangélicos votaram em Bolsonaro. Com a aproximação, o governo espera reduzir a rejeição nesse segmento, que hoje se mantém majoritariamente crítico à gestão.

No entanto, a eficácia da estratégia depende de avanços concretos, como a aprovação de pautas caras aos evangélicos, por exemplo, a liberação de recursos para instituições religiosas ou a manutenção de valores conservadores na educação. Enquanto isso, Janja tenta equilibrar sua agenda progressista com o pragmatismo político necessário para dialogar com um eleitorado que, em grande parte, rejeita suas bandeiras feministas.

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