O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma entrevista coletiva para esta tarde, na qual deve anunciar as medidas de resposta ao novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A coletiva está marcada para as 15h, no Palácio do Planalto, e contará com a participação dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Medidas de retaliação comercial
Segundo fontes do governo, o Brasil prepara um pacote de retaliação comercial que inclui a elevação de tarifas de importação sobre produtos americanos, como milho, soja, carne de frango e automóveis. A expectativa é que as medidas sejam anunciadas ainda hoje, em resposta à decisão dos EUA de aumentar em 25% as tarifas sobre o aço brasileiro e em 10% sobre o alumínio.
O tarifaço americano, anunciado na última segunda-feira, afeta diretamente as exportações brasileiras de aço e alumínio, que somaram US$ 3,2 bilhões em 2025. O governo brasileiro considera a medida unilateral e desproporcional, e promete defender os interesses nacionais.
Reunião de emergência
Na manhã desta quarta-feira, Lula se reuniu com os ministros da Economia, Agricultura e Indústria para discutir as alternativas de resposta. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o Brasil buscará uma solução negociada, mas não descarta recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).
"O Brasil não vai se curvar a pressões unilaterais. Vamos defender nossos empregos e nossa indústria", disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista à rádio CBN. Segundo ele, o governo já prepara um plano de apoio aos setores afetados, com linhas de crédito e subsídios.
Impacto econômico
O setor siderúrgico brasileiro é um dos mais afetados. O Instituto Aço Brasil estima que as exportações para os EUA podem cair até 40% com as novas tarifas. "É um golpe duro, mas temos capacidade de nos adaptar", afirmou o presidente do instituto, Marco Polo de Mello Lopes.
Além do aço e alumínio, outros produtos brasileiros podem ser alvo de novas tarifas americanas. O governo americano anunciou que estuda aumentar impostos sobre suco de laranja, etanol e calçados brasileiros. A decisão final deve sair nas próximas semanas.
Negociações em andamento
Enquanto isso, diplomatas brasileiros tentam negociar com os EUA uma saída para o impasse. O embaixador brasileiro em Washington, Nestor Forster, se reuniu ontem com representantes do Departamento de Comércio americano, mas não houve avanço.
"Estamos abertos ao diálogo, mas não aceitaremos imposições. O Brasil é um parceiro comercial importante e merece respeito", disse o chanceler Mauro Vieira. A expectativa é que a coletiva de hoje traga mais detalhes sobre as contramedidas e o cronograma de implementação.



