A Caixa Econômica Federal empossou nesta sexta-feira, 1º de julho, a nova presidente do banco, Daniella Marques, após a conclusão dos trâmites internos de governança. A nomeação ocorreu na última quarta-feira, 29, depois que o ex-presidente Pedro Guimarães foi exonerado em meio a denúncias de assédio sexual.
Cerimônia de posse e contexto das denúncias
A cerimônia oficial de posse da ex-secretária de Competitividade e Produtividade do Ministério da Economia está marcada para a próxima terça-feira, 5 de julho. Guimarães é alvo de denúncias de assédio sexual a funcionárias da Caixa, reveladas pelo site Metrópoles e investigadas pelo Ministério Público Federal. Ele nega as acusações.
Renúncia de vice-presidente
Em comunicado, a Caixa também informou que o conselho de administração do banco acatou a carta de renúncia de Celso Barbosa, até então vice-presidente de Negócios de Atacado. Barbosa, visto internamente como "número 2" de Guimarães, foi citado em uma das denúncias de assédio sexual que levaram à queda do ex-presidente.
Trajetória de Daniella Marques
Nomeada para o comando da Caixa, Daniella Marques é considerada "braço direito" do ministro da Economia, Paulo Guedes, desde os tempos em que ele atuava na iniciativa privada. Ela assumiu a Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia no início deste ano, liderando projetos voltados para o público feminino, área em que o presidente Jair Bolsonaro amarga forte rejeição.
Formada em Administração pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro e com MBA em Finanças pelo Ibmec/RJ, Daniella atuou por 20 anos no mercado financeiro. Foi sócia de Guedes na Bozano Investimentos, no Rio de Janeiro, e deixou a gestora em 2019 para trabalhar com o ministro como assessora especial.
Confiança de Bolsonaro e programas para mulheres
Presente desde a campanha de 2018, Daniella tem a confiança do presidente Jair Bolsonaro e já participou das tradicionais lives de quinta-feira do chefe do Executivo para divulgar ações do Ministério da Economia voltadas às mulheres. Ela foi responsável por costurar o programa "Brasil Pra Elas", uma política de crédito para estimular o empreendedorismo feminino no país. A medida, parte de um pacote que pretende movimentar entre R$ 82 bilhões e R$ 100 bilhões em crédito, foi lançada em março, no Dia Internacional da Mulher.
Pouco depois, Daniella passou a comandar o Comitê Nacional do programa, que tem como parceiros o Sebrae, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, governos estaduais e municipais.
Atuação recente e declarações
No fim de semana passado, Daniella tinha viagem marcada a Belo Horizonte com a "Caravana Brasil Pra Elas", promovendo cursos de capacitação e palestras para "alavancar a participação feminina nos negócios", conforme informações do site do Ministério da Economia. Em abril, em encontro com empresários, ela minimizou as projeções do mercado para a economia em 2022, afirmando que os resultados de leilões e a recuperação de empregos são pontos de otimismo para o governo. Daniella também criticou governos estaduais e locais ao dizer que "bondades" como aumentos de salário para o funcionalismo só foram possíveis graças ao governo federal. "Assim, todos os prefeitos e governadores ficaram bons gestores", destacou no evento.



