Governo Lula usa Banco do Brasil para postergar crise dos Correios
BB firma contrato de R$ 2,3 bi com Correios sem licitação

O governo Lula definiu sua estratégia para evitar ou postergar a ruína dos Correios: usar órgãos e empresas estatais para esticar artificialmente a vida da empresa. O Banco do Brasil (BB) firmou um novo acordo para prestação de serviços postais em todo o País, válido por cinco anos, com valor de até R$ 2,3 bilhões. O contrato anterior vencia em 10 de julho.

Contrato direto sem licitação

O BB afirma que a decisão foi “independente”, mas a contratação foi direta, sem licitação. A justificativa é que a maior parte dos serviços está sujeita ao monopólio postal. Para os serviços não monopolizados, como entrega de encomendas expressas, o banco consultou outras duas empresas, mas alegou que os valores eram similares e que os Correios têm “capilaridade, abrangência nacional e capacidade operacional” para atender todo o território, inclusive áreas remotas.

O Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou falhas na análise do empréstimo de R$ 12 bilhões tomado pelos Correios em 2024, de um consórcio de cinco bancos, incluindo BB e Caixa. O Tesouro Nacional se comprometeu a honrar o débito em caso de calote. O TCU abriu processo para apuração de responsabilidades, o que pode atrapalhar um segundo empréstimo de R$ 7 a R$ 8 bilhões pleiteado pela estatal.

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Prejuízo recorde e recuperação de contratos

Os Correios registram prejuízo há 14 trimestres consecutivos. Em 2025, encerraram com rombo de R$ 8,5 bilhões e devem fechar o ano com resultado negativo de R$ 10 bilhões. Só no primeiro trimestre, a perda foi de R$ 3,16 bilhões, com aumento de despesas e queda de receitas, inclusive em encomendas e postagens internacionais.

A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, afirmou no mês passado que os Correios estavam prestes a anunciar parceria para gerenciar a logística de galpões da Receita Federal, atividade que geraria receitas para a estatal.

Críticas à gestão e falta de privatização

O governo Lula evita privatizar os Correios, optando por “soluções” que transferem o custo à sociedade. O BB, sociedade de economia mista com quase metade das ações em mãos privadas, é usado como instrumento do governo, que abusa de sua posição de controlador. A estratégia segue o padrão petista de “ninguém solta a mão de ninguém”, com outras estatais sendo “convidadas” a socorrer os Correios.

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