2026 é um ano instigante para o Brasil. As eleições muito esperadas e decisivas indicam que o País está se compenetrando de que uma nova realidade geopolítica se instaurou e que é preciso muita racionalidade assertiva para enfrentá-la.
Voto facultativo: uma demanda da cidadania
Como seria bom que o voto fosse facultativo e, portanto, reservado a quem realmente se interessa pela política. Diante do número de abstenções, votos em branco e votos nulos, vê-se que não é diminuta a parcela da população que prefere cuidar de seus próprios interesses e não toma conhecimento da renovação dos quadros dirigentes da Nação.
Além disso, na sociedade eletrônica hoje vigente, poder-se-ia pensar no exercício do sufrágio pela internet. Por que mobilizar milhares de pessoas, requisitar prédios que precisam passar por adaptações provisórias, mas que oneram quem as realiza, para o comparecimento pessoal de quem poderia manifestar sua opinião servindo-se de todo equipamento hoje disponível? É um contrassenso poder utilizar o Pix para transferir vultosas importâncias e exigir a presença física do eleitor nos lugares destinados a receber sua manifestação de vontade.
Benefícios do voto online: menos custos e impacto ambiental
Pense-se no trabalho indesejável realizado por aqueles convocados para servir como mesários, de forma compulsória e quase sempre cumprido sob protesto, que seria banido de nossa prática democrática. Só quem recebe os inúmeros requerimentos de dispensa do serviço obrigatório e gratuito é que sabe inexistir o fictício entusiasmo dos recrutados a trabalhar no dia das eleições.
Outros benefícios como subproduto adviriam: melhoria no trânsito e, por consequência, no flagelo da emissão de gases venenosos causadores do efeito estufa. Poupar-se-ia o sacrifício dos garis, forçados ao recolhimento de toneladas de propagandas que sujam e enfeiam as ruas e, não raro, vão entupir bueiros e bocas-de-lobo.
Em lugar do dispêndio milionário com esse espetáculo que movimenta milhares de cidadãos, haveria condições de elaborar sistemas de controle e auditoria comprobatória de que não houve fraudes e que o exercício democrático de fato refletiu a vontade dos que realmente querem escolher seus representantes.
Atraso tecnológico e resistência conservadora
O Brasil custa a acertar o passo com a contemporaneidade. Embora já disponha há muitos anos do melhor e mais confiável sistema de aferição daquilo que a cidadania deseja, hesita e tarda em adotar estratégias que consagrem seu processo eleitoral, para servir como padrão para outras nações e para demonstrar que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) vieram para ficar e precisam transformar praxes anacrônicas e surreais, como a obrigatória presença física do eleitor no dia das eleições.
Pense-se, além disso, na regra esdrúxula que permite ao brasileiro no exterior manifestar sua preferência eleitoral e obriga o brasileiro em solo pátrio a se locomover ao local em que seu domicílio eleitoral está cadastrado.
Sabe-se que isso demandaria intermináveis debates no Parlamento e que o conservadorismo argumentaria com a insegurança, com a indispensabilidade do “teatro cívico”, a congregar milhões que prefeririam enunciar sua preferência de forma cômoda e confortável, sem a necessidade de locomoção para encontrar sua seção eleitoral.
Propaganda eleitoral na era digital
Agora, uma vertente que poderá interessar mais imediatamente os candidatos. É anacrônica a lei de propaganda até hoje praticada. A juventude algorítmica não assiste televisão. Abomina a “propaganda eleitoral” que não é gratuita, mas custeada pelo contribuinte. Os chamados “marqueteiros” permaneceram no figurino passado e não convencem os moços e quem consiga enxergar um palmo além do nariz.
Um candidato inteligente recrutará os jovens que já nasceram com chips e que manejam com perícia e competência os meandros das redes sociais. Mensagens curtas, diretas, eloquentes, produzirão mais efeito do que os cansativos comícios nos quais a mediocridade é a maior atração.
O desinteresse e a polarização
Apenas os mais sagazes conseguirão raciocinar que o número de abstenções, de votos em branco e nulos, representam muito mais do que aquele voto contra o candidato que eu odeio. Esta tem sido a reiterada crônica de nossos pleitos: vota-se não naquele em que eu realmente acredito, mas no adversário a quem eu odeio e ao qual devoto minha ojeriza.
O Brasil, polarizado e, a cada momento, mais irado, esta terra em que há mais celulares do que habitantes, precisaria resgatar seus valores tão negligenciados. Dentre os quais, os critérios para a mais adequada seleção dos quadros dirigentes dos Poderes eleitos, assunto que não está na pauta das preocupações de tantos que lamentam a situação nacional e nada fazem para melhorá-la. Mais seriedade, mais juízo e mais sensatez, povo bom de minha terra.



