PT oficializa Lula candidato à Presidência em convenção nacional
PT lança Lula à Presidência em convenção nacional

A convenção nacional do PT, realizada neste domingo em São Paulo, oficializou a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. O petista, que completa 81 anos em 27 de outubro, tenta o que seria seu quarto mandato no Palácio do Planalto. Se eleito, chegará a 16 anos como presidente do Brasil, marca superada apenas pelos pouco mais de 18 anos de Getúlio Vargas.

O atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, já havia sido confirmado pelo PSB como candidato à reeleição na chapa do petista na semana passada.

Do Sertão ao movimento sindical

Nascido em Garanhuns (PE), em 27 de outubro de 1945, Lula é o sétimo filho dos lavradores Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, a dona Lindu. Aos 7 anos, mudou-se com a mãe e os irmãos para São Paulo num caminhão pau de arara. Trabalhou como engraxate e office boy, formou-se torneiro mecânico pelo Senai e ingressou na indústria metalúrgica, iniciando a trajetória que o levou ao sindicalismo.

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É casado com a socióloga Janja da Silva, sua terceira esposa. Antes, foi casado com Maria de Lourdes da Silva, morta em 1971, e com Marisa Letícia Lula da Silva, que faleceu em 2017 após um AVC. O petista é pai de cinco filhos.

Problemas de saúde e o terceiro mandato

Ao longo do mandato, Lula enfrentou desafios de saúde. Em 2023, passou por cirurgia no quadril para tratar dores provocadas por artrose. Em 2024, sofreu uma queda no banheiro do Palácio da Alvorada, que o levou a cancelar compromissos internacionais. Em 2025, apresentou um quadro de labirintite e, em 2026, retirou uma lesão cancerígena no couro cabeludo, seguida de radioterapia. Antes disso, em 2011, ele já havia superado um câncer na laringe.

No terceiro mandato, Lula recriou ministérios extintos no governo anterior, como o da Cultura, e ampliou a estrutura administrativa, que hoje tem 38 pastas, com a criação de novas pastas como Igualdade Racial e Povos Indígenas.

Crises, economia e relação com o Congresso

O governo enfrentou o escândalo de fraudes no INSS, com descontos indevidos em aposentadorias e pensões entre 2019 e 2024. O caso resultou na troca do comando do instituto, no indiciamento de ex-dirigentes e na substituição de Carlos Lupi no Ministério da Previdência Social. Nos últimos dias, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou duas investigações da Polícia Federal sobre o suposto tráfico de influência de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, no Ministério da Saúde e na Dataprev. Em junho, Lula também retirou Jaques Wagner da liderança do governo no Senado após o parlamentar baiano ser alvo da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes bilionárias do Banco Master.

Na área econômica e social, o governo conseguiu aprovar a reforma tributária no Congresso e ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda. O Brasil voltou a sair do Mapa da Fome, e programas de moradia e transferência de renda foram ampliados. Lula, porém, precisou lidar com os reflexos das crises internacionais, incluindo o tarifaço dos Estados Unidos e os embates públicos com Donald Trump. Também foi criticado pelo aumento dos gastos públicos e pelos ataques ao Banco Central.

A relação com o Congresso teve derrotas, como a rejeição pelo Senado da indicação de Jorge Messias para o STF e a derrubada de vários vetos, inclusive o que barrava a redução de penas para condenados pelo 8 de Janeiro. Se reeleito, Lula poderá indicar pelo menos outros três ministros da Suprema Corte.

Primeiras eleições e chegada ao Planalto

Metalúrgico em São Bernardo do Campo (SP), Lula ingressou no movimento sindical por influência do irmão José Ferreira da Silva, o Frei Chico. No Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, tornou-se presidente e ganhou projeção nacional ao liderar as greves da categoria no fim dos anos 1970, durante a ditadura militar. Em 1980, foi preso por 31 dias com base na Lei de Segurança Nacional e, no mesmo ano, participou da fundação do PT. A primeira bandeira do partido foi costurada por Marisa Letícia.

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Em 1982, Lula disputou o governo de São Paulo e não foi eleito. Quatro anos depois, venceu a eleição para deputado federal e participou da Assembleia Nacional Constituinte. Em 1989, chegou ao segundo turno da disputa presidencial, mas foi derrotado por Fernando Collor. Perdeu também para Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998.

Em 2002, Lula divulgou a "Carta ao Povo Brasileiro" e conquistou sua primeira vitória. Em 1º de janeiro de 2003, tornou-se o primeiro operário a assumir a Presidência. Lançou programas como Fome Zero, Bolsa Família e ProUni. Em 2005, o então deputado Roberto Jefferson denunciou o esquema do Mensalão, com compra de apoio político no Congresso.

Reeleição, Lava Jato e prisão

Apesar do Mensalão, Lula foi reeleito em 2006. O país vivia economia aquecida, com inflação sob controle e expansão da classe média. No segundo mandato, lançou o Minha Casa, Minha Vida e o PAC. Eleito como um dos líderes mais populares, foi chamado de "o cara" pelo então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Deixou o governo em 2010 com 87% de aprovação, sendo sucedido por Dilma Rousseff.

Em 2014, teve início a Operação Lava Jato, que revelou um esquema de desvio de recursos públicos na Petrobras e influenciou o impeachment de Dilma em 2016. Em 2017, Lula foi condenado por Sergio Moro no caso do tríplex do Guarujá. Preso em 2018, passou 580 dias na sede da Polícia Federal em Curitiba e teve a candidatura barrada com base na Lei da Ficha Limpa. Deixou a prisão em 2019 após o STF decidir que a pena só pode ser executada após o trânsito em julgado. Em 2021, o ministro Edson Fachin anulou as condenações da Lava Jato, devolvendo seus direitos políticos.

Retorno ao Planalto e atos de 8 de janeiro

Em 2022, Lula formou uma ampla coalizão contra o bolsonarismo, com apoios como o do ex-ministro Joaquim Barbosa, e adotou discurso mais ao centro. Venceu as eleições e retornou ao Planalto. Na cerimônia de posse, Jair Bolsonaro não participou da transmissão da faixa, entregue a Lula por representantes da sociedade civil. Dias depois, em 8 de janeiro de 2023, apoiadores de Bolsonaro protagonizaram atos de vandalismo na Praça dos Três Poderes.