Marcelo Aro pode ter mais de 50% do horário gratuito em MG
Marcelo Aro pode ter mais de 50% do horário gratuito em MG

O ex-deputado Marcelo Aro pode ficar com mais de 50% do tempo reservado ao horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão nas eleições de Minas Gerais. A informação foi antecipada pela coluna do jornalista Lauro Jardim, no jornal O Globo, e movimenta a pré-temporada da sucessão estadual.

O percentual expressivo daria ao pré-candidato a maior exposição possível durante a propaganda obrigatória, um trunfo estratégico em um dos maiores colégios eleitorais do Brasil.

Como a divisão do tempo é definida

Pela legislação eleitoral, o tempo destinado a cada candidato a governador é proporcional ao número de deputados federais eleitos pelos partidos que compõem a coligação na última eleição para a Câmara dos Deputados. Na prática, quanto mais legendas e parlamentares reunidos em torno de uma candidatura, maior é o tempo no rádio e na TV.

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No caso de Minas Gerais, uma eventual coligação ampla poderia garantir a Aro mais da metade dos minutos destinados ao cargo. O cálculo é feito pelo Tribunal Regional Eleitoral somente após o registro das candidaturas e a oficialização das coligações partidárias.

A coluna de Lauro Jardim não detalha quantos partidos comporiam esse palanque nem os nomes envolvidos. O número citado reflete a soma das bancadas das legendas que já teriam aderido ao projeto nas negociações em curso.

Vale lembrar que, desde a criação das federações partidárias, o cálculo também leva em conta a representação conjunta dos partidos que formam uma federação, o que pode aumentar ainda mais a fatia de um candidato.

Peso da propaganda eleitoral

Ter mais de 50% do tempo de horário eleitoral é raro e decisivo. Nas eleições anteriores, poucos candidatos alcançaram esse feito, justamente pela fragmentação partidária que dificulta a formação de grandes coligações. Se confirmado, Aro poderá usar a propaganda para responder ataques, apresentar planos de governo e aparecer com muito mais frequência diante do eleitorado mineiro, que passa de 16 milhões de eleitores.

O domínio da propaganda também influencia o marketing de campanha: permite a produção de programas mais longos, a repetição de inserções ao longo da programação e a construção de uma narrativa com menos interrupções por parte dos concorrentes. É uma vantagem difícil de ser neutralizada apenas com redes sociais ou ações de rua.

O que diz a lei

A Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) define que a distribuição do tempo de rádio e TV para os cargos majoritários, como governador e senador, é feita com base na representação da coligação na Câmara dos Deputados, considerando o resultado das eleições mais recentes. O tempo é dividido em dois tipos: o Programa Eleitoral Gratuito, exibido em bloco, e as inserções, que são anúncios de 30 ou 60 segundos veiculados ao longo da programação.

Para os cargos proporcionais, como deputado federal e estadual, a lógica é semelhante, mas o tempo é dividido entre os partidos, que repassam aos seus candidatos. No caso de uma eventual candidatura de Aro ao governo, o percentual de mais de 50% seria sobre o total destinado àquele cargo.

Essa concentração normalmente ocorre quando uma coligação reúne os maiores partidos do estado e alcança a maioria dos deputados federais eleitos. Em Minas Gerais, a última eleição federal ocorreu em 2022, e as bancadas são a base de cálculo para 2026.

Impacto na disputa mineira

O cenário antecipado pela coluna deve provocar reações imediatas dos demais postulantes ao governo do estado. Candidatos que ficarem com menos tempo terão de compensar a desvantagem com maior presença em debates, agendas presenciais e investimento em canais próprios de comunicação. Ainda assim, a desigualdade de exposição é um dos fatores que mais influenciam a decisão do eleitor, principalmente entre aqueles que acompanham a política de forma menos intensa.

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Marcelo Aro, ex-deputado federal por Minas Gerais, é um dos nomes mencionados para a disputa ao Executivo estadual. A confirmação oficial da candidatura e a definição dos partidos aliados é que vão determinar, no final das contas, o tamanho do tempo no rádio e na TV. A formalização da coligação precisa ocorrer até as convenções partidárias, previstas para o segundo semestre. Qualquer mudança na composição pode reduzir ou ampliar o tempo calculado.

O número indicado por Lauro Jardim, portanto, acende um alerta na política mineira. Se a projeção se transformar em realidade, a campanha do ex-deputado começa com um trunfo que poucos postulantes a governador já tiveram na história recente do estado.