O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) confirmou, nesta quinta-feira (23), por meio de publicação nas redes sociais, que não vai se candidatar a nenhum cargo nas eleições deste ano. A decisão de abandonar a pré-campanha ao Senado já havia sido anunciada à TV Globo no início deste mês.
Recálculo de rota e bem-estar pessoal
Na publicação feita em seu perfil no Instagram, Ibaneis disse que essa foi "uma das decisões mais difíceis" de sua vida pública e que se trata de um "recálculo de rota". "Após muita reflexão, decidi não seguir com a pré-candidatura ao Senado Federal. Mas quero deixar algo muito claro: isso não significa desistir do Distrito Federal, lugar onde nasci e amo muito. [...] O que faço agora é um recálculo de rota, pensando no meu bem-estar, nos meus filhos e nos que dependem de mim, nos meus negócios, na minha saúde e em tudo o que construí ao longo desses anos", disse.
Agradecimentos e balanço da gestão
Na mesma publicação, Ibaneis lista ações de seu governo, agradece ao partido MDB e afirma que cumpriu sua palavra "até o último momento". A decisão ocorre após um período de tensões políticas com aliados, especialmente com a governadora Celina Leão (PP), sua vice no segundo mandato.
Ruptura com Celina Leão e novos apoios
Desde que se lançou como pré-candidato ao Senado, em maio, Ibaneis teve de recalibrar sua relação com diversos aliados – incluindo sua vice-governadora no segundo mandato, Celina Leão (PP). Nas semanas após assumir o governo do DF de forma definitiva, Celina teceu uma série de críticas à gestão de Ibaneis, em temas como saúde pública e a crise do Banco de Brasília (BRB). Em maio, Ibaneis chegou a divulgar um vídeo nas redes sociais para sinalizar um "rompimento político" com o grupo de Celina. A governadora do DF rebateu, também em vídeo divulgado nas redes. Ao longo do período, Celina Leão passou a expressar apoio a outras duas pré-candidatas ao Senado pelo DF: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada federal Bia Kicis (PL).
Trajetória política interrompida
Com a desistência da candidatura, Ibaneis interrompe uma trajetória de sete anos na política do Distrito Federal – e que começou já com o Palácio do Buriti, sem passagens pelo Legislativo. Nascido em Corrente (PI), Ibaneis ganhou fama na capital como advogado e chegou a presidir a Ordem dos Advogados do Brasil distrital (OAB-DF). Em 2018, começou a campanha como "azarão" e derrotou o então governador Rodrigo Rollemberg (PSB), que tentava reeleição. Em 2022, foi reeleito ainda em primeiro turno. Em 2023, poucos dias após tomar posse no segundo mandato, foi afastado do governo por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob a justificativa de possível omissão das forças de segurança. Meses depois, foi reconduzido ao cargo.



