O Partido Liberal (PL) oficializou na noite deste sábado, 25 de julho de 2026, a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A convenção nacional, realizada em Brasília, reuniu lideranças da direita, parlamentares e apoiadores, em um evento marcado por discursos de união e homenagens ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que continua inelegível.
Apelos à união e recados políticos
Durante a cerimônia, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, fez um discurso enfático pedindo a união das forças conservadoras em torno do nome de Flávio. "A direita precisa estar coesa para vencer as eleições e resgatar o Brasil do caos", afirmou. O evento contou com a exibição de um vídeo gravado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que reforçou o apelo familiar e pediu orações pelo país. Em um momento inédito, uma inteligência artificial simulou a voz de Jair Bolsonaro, gerando comoção entre os presentes.
Flávio Bolsonaro, em seu discurso de aceitação, destacou a importância da família e prometeu endurecer as políticas de segurança pública, com foco especial no combate à violência contra a mulher. "Vamos trabalhar para que as brasileiras se sintam protegidas. Não podemos mais tolerar a impunidade", declarou. O candidato também atacou o governo Lula, acusando-o de negligência econômica e corrupção.
Apoios e dificuldades na campanha
Apesar do tom de união, bastidores indicam que a campanha de Flávio enfrenta desafios para consolidar apoios em todos os estados. Partidos como o PP e o Republicanos ainda não definiram alianças formais. Lideranças do centrão, por sua vez, sinalizaram que podem apoiar candidaturas alternativas caso não haja acordo sobre a vice-presidência. A convenção serviu para mostrar que o PL está mobilizado, mas a falta de um nome forte na chapa preocupa estrategistas.
Pesquisas internas do partido apontam que Flávio Bolsonaro tem entre 15% e 18% das intenções de voto, atrás de Lula e de outros pré-candidatos. A equipe de campanha aposta em um crescimento durante o horário eleitoral gratuito e em uma virada apoiada na rejeição ao atual governo.
O papel da inteligência artificial e da família
O uso de uma IA para recriar a voz de Jair Bolsonaro foi um dos pontos altos do evento. O ex-presidente, que segue como principal cabo eleitoral da família, não pôde comparecer por estar impedido judicialmente. A tecnologia gerou debates: enquanto apoiadores exaltaram a inovação, críticos apontaram para possíveis riscos éticos. Michelle Bolsonaro, em sua mensagem, enfatizou a necessidade de resgatar valores cristãos e conservadores.
Flávio também recebeu o apoio de filhos de Bolsonaro, como Carlos Bolsonaro, vereador no Rio, e Eduardo Bolsonaro, deputado federal. A presença da família foi vista como uma tentativa de humanizar a candidatura e afastar a imagem de um político frio. "Nossa família está unida para lutar pelo Brasil", disse Flávio.
Perspectivas para a corrida eleitoral
A oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro coloca o PL como um dos principais protagonistas da eleição de 2026. Agora, o partido busca formalizar coligações e negociar tempo de TV. Analistas políticos apontam que a direita precisa equilibrar o discurso radical com propostas viáveis para conquistar o eleitorado moderado. O evento foi encerrado com flashes de fogos de artifício e o tradicional gesto de "L" com os dedos, em referência ao partido.
Com a candidatura lançada, Flávio inicia nesta segunda-feira uma série de viagens pelo Nordeste, região onde o bolsonarismo busca ampliar sua base. A campanha deve intensificar ataques à gestão Lula, mas também apresentar propostas para áreas como economia, saúde e educação.



