Aliados do senador Flávio Bolsonaro estão aconselhando o pré-candidato a evitar o uso de inteligência artificial (IA) com a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro até que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se pronuncie sobre a legalidade dessa prática. A recomendação surge após a repercussão negativa de um vídeo exibido na convenção do Partido Liberal (PL), que gerou incertezas jurídicas sobre o uso de ferramentas de IA em campanhas eleitorais.
Contexto da polêmica
O vídeo, que mostrava Jair Bolsonaro em animação gerada por IA, foi exibido durante a convenção do PL no mês passado. A peça de propaganda gerou debates sobre os limites do uso de tecnologia para simular a participação de políticos inelegíveis. Jair Bolsonaro está impedido de concorrer até 2030, conforme decisão do TSE. A exibição do vídeo levantou questionamentos sobre a possibilidade de burlar a inelegibilidade por meio de recursos tecnológicos.
Diante do cenário, o entorno de Flávio Bolsonaro passou a recomendar cautela. “O precedente é perigoso. Qualquer uso de IA com a imagem do ex-presidente pode ser interpretado como tentativa de driblar a justiça eleitoral”, afirmou um aliado próximo, sob condição de anonimato. A orientação é aguardar uma definição clara do TSE antes de explorar novamente esse tipo de ferramenta.
Boneco de papelão como alternativa
Enquanto aguardam a decisão do tribunal, os aliados sugerem uma solução de baixo risco tecnológico: o uso de um boneco de papelão em tamanho real de Jair Bolsonaro. A ideia é que o material gráfico possa manter a presença simbólica do ex-presidente nos eventos de campanha sem gerar novas controvérsias legais. “O boneco de papelão não tem tecnologia, não simula voz nem movimento, mas cumpre o papel de lembrar o eleitor de quem é o maior nome da direita no Brasil”, explicou outro assessor.
A estratégia já foi testada em atos anteriores, como a manifestação contra o ministro Alexandre de Moraes em Copacabana, no Rio de Janeiro, onde Flávio Bolsonaro apareceu ao lado de um cartaz em tamanho real do pai. A foto do evento, publicada em 3 de agosto de 2025, mostra o senador segurando o boneco, e a imagem viralizou nas redes sociais.
Implicações jurídicas e políticas
Especialistas em direito eleitoral apontam que o uso de IA com a imagem de Jair Bolsonaro pode configurar propaganda antecipada ou até mesmo abuso de poder político. O TSE ainda não tem jurisprudência consolidada sobre o tema, mas a corte tem demonstrado rigor contra inovações tecnológicas que possam distorcer o processo eleitoral. Em 2024, o tribunal multou partidos por uso de deepfake em campanhas municipais.
Para Flávio Bolsonaro, que busca se viabilizar como sucessor do pai, a cautela é estratégica. Segundo analistas políticos, qualquer decisão precipitada pode manchar a candidatura e gerar inelegibilidade. “A imagem de Jair Bolsonaro é o principal ativo político de Flávio. Um erro jurídico agora poderia comprometer todo o projeto”, avaliou o cientista político Carlos Melo, da Universidade de São Paulo.
Internamente, a campanha de Flávio também avalia o impacto eleitoral. Pesquisas recentes indicam que cerca de 35% dos eleitores de direita consideram essencial a associação direta com Jair Bolsonaro. “Sem o pai, Flávio perde força. Mas com uso inadequado de IA, pode perder também a elegibilidade”, resumiu um estrategista do PL.
Próximos passos
Aliados aguardam que o TSE se manifeste nos próximos meses, possivelmente em uma consulta formal ou por meio de resolução. Enquanto isso, a campanha deve priorizar eventos presenciais e materiais impressos. O boneco de papelão pode aparecer em carreatas e comícios, desde que não haja interação tecnológica que simule a presença do ex-presidente.
“Vamos usar o bom senso. O boneco é uma forma de homenagear o ex-presidente e manter o vínculo com a base, sem entrar em risco jurídico”, afirmou o coordenador de comunicação da campanha. A decisão final, porém, cabe a Flávio Bolsonaro, que deve anunciar nos próximos dias se adotará ou não a sugestão dos aliados.



