O eleitorado feminino no Brasil atingiu um patamar histórico e se tornou o fator determinante na corrida presidencial de 2026. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que há 9,1 milhões de mulheres a mais do que homens aptas a votar, uma vantagem numérica que os candidatos não podem ignorar. Essa maioria feminina, consolidada desde as eleições de 2018, tem consistentemente favorecido o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto candidatos como Flávio Bolsonaro (PL) buscam estratégias para conquistar esse segmento crucial do eleitorado.
Crescimento do eleitorado feminino e clivagem de gênero
Até a ascensão de Jair Bolsonaro em 2018, a diferença de votos entre homens e mulheres era relativamente pequena. No entanto, a partir daquele pleito, uma clivagem de gênero se acentuou de forma significativa. Segundo analistas políticos, o discurso moral e conservador de Bolsonaro provocou rejeição entre as mulheres, que passaram a votar de maneira mais expressiva em candidatos de esquerda. Esse movimento se repetiu em 2022, quando Lula venceu a eleição presidencial com amplo apoio do eleitorado feminino.
O TSE registra que o número de eleitoras cresceu de forma consistente nos últimos anos, impulsionado por fatores demográficos e pelo maior engajamento político das mulheres. Atualmente, as mulheres representam cerca de 52% do eleitorado total, uma fatia que pode ser decisiva em uma disputa acirrada.
Lula e o voto feminino
Lula, que já governou o país por dois mandatos, mantém boa aceitação entre as mulheres, especialmente devido às políticas sociais implementadas durante seus governos, como o Bolsa Família e programas de saúde da mulher. Em 2022, pesquisas de boca de urna indicaram que o petista obteve vantagem de cerca de 10 pontos percentuais entre as eleitoras, o que foi fundamental para sua vitória no segundo turno. Para 2026, sua campanha pretende reforçar esse apoio, destacando propostas voltadas para a igualdade de gênero e o combate à violência doméstica.
Flávio Bolsonaro tenta reverter rejeição feminina
Do outro lado, Flávio Bolsonaro enfrenta o desafio de conquistar o voto feminino, historicamente mais resistente ao bolsonarismo. Em uma tentativa de reduzir a rejeição, o candidato tem adotado novas estratégias. Uma delas é envolver mais sua esposa na campanha, projetando uma imagem familiar. Além disso, Flávio pediu desculpas públicas à madrasta, Michelle Bolsonaro, em um gesto de reconciliação que busca atrair eleitoras evangélicas e conservadoras. A iniciativa, no entanto, é vista com ceticismo por analistas, que apontam que a rejeição ao discurso de Bolsonaro predecessor ainda é forte entre as mulheres.
Impacto nas estratégias de campanha
A crescente importância do eleitorado feminino está remodelando as campanhas presidenciais. Os candidatos têm dedicado mais tempo a temas como direitos das mulheres, saúde reprodutiva e igualdade salarial. O PT, por exemplo, lançou uma série de propostas para fortalecer a rede de proteção às mulheres, enquanto o PL tenta suavizar sua imagem com pautas familiares. A disputa pelo voto feminino promete ser um dos eixos centrais da eleição de 2026, com ambos os lados cientes de que a vantagem numérica das mulheres pode definir o resultado final.
Segundo dados do TSE, o eleitorado feminino não apenas cresceu em número, mas também em engajamento. A participação das mulheres nas urnas tem sido historicamente maior que a dos homens, e essa tendência se mantém. Em 2022, a abstenção feminina foi inferior à masculina, o que reforça o peso desse segmento. Para 2026, a expectativa é que as mulheres continuem a comparecer em massa, tornando-se o principal alvo das campanhas eleitorais.



