Ciro Gomes avalia apoiar Caiado ou Renan Santos e gera crise no clã Bolsonaro
Ciro avalia apoiar Caiado ou Renan e gera crise em clã Bolsonaro

O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) avalia apoiar as candidaturas presidenciais de Renan Santos (Missão) ou Ronaldo Caiado (PSD) após a desistência de Aécio Neves, movimentação que acirrou a disputa interna no clã Bolsonaro, especialmente entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Crise no PL do Ceará

O diretório do PL no Ceará oficializou apoio a Ciro Gomes na corrida ao governo estadual, contrariando a orientação de Michelle Bolsonaro, que é presidente do partido. A aliança inclui o nome de Alcides Fernandes como pré-candidato ao Senado na chapa de Ciro. A decisão foi tomada à revelia da ex-primeira-dama, que vinha articulando uma candidatura própria do PL no estado.

“O PL do Ceará optou por um caminho que não foi discutido com a cúpula nacional. Isso gera um desconforto enorme”, afirmou uma fonte ligada à direção nacional da legenda, sob condição de anonimato.

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Reações de Michelle e Flávio

Michelle Bolsonaro criticou publicamente a aliança com Ciro Gomes, histórico adversário político da família Bolsonaro. Em declarações recentes, ela classificou o acordo como “traição” e alertou que o partido precisa manter coerência ideológica. “Não podemos apoiar quem sempre combateu nossos valores”, disse Michelle em evento partidário, segundo relatos de presentes.

Já Flávio Bolsonaro defendeu a autonomia das direções estaduais e sinalizou apoio à decisão do PL cearense. A divergência expôs uma fissura entre os dois, que até então atuavam de forma alinhada na condução do partido.

O deputado federal general Girão (PL-RN), aliado de Michelle, também se manifestou: “Essa aliança pode trazer consequências. Quem trai uma vez, trai de novo. Precisamos ficar atentos”, afirmou em entrevista a uma rádio local.

Possíveis candidaturas presidenciais

Ciro Gomes, que se filiou ao PSDB em 2025, avalia agora qual nome apoiar no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Renan Santos, do partido Missão, tem perfil mais alinhado à centro-direita, enquanto Ronaldo Caiado, do PSD, busca consolidar uma candidatura com viés conservador. A decisão de Ciro pode influenciar o equilíbrio de forças no segundo turno.

“O Ciro está avaliando com cuidado. Ele quer um candidato que dialogue com as pautas do Nordeste e que tenha viabilidade eleitoral”, explicou um assessor próximo ao ex-ministro, que preferiu não se identificar.

Cenário político no Ceará

O estado do Ceará torna-se um dos principais palcos de disputas políticas para 2026. Além da aliança do PL com Ciro, outros partidos como PT e PDT também articulam candidaturas. A crise no clã Bolsonaro expõe as dificuldades de manter unidade partidária em meio a interesses regionais divergentes.

Analistas apontam que o movimento de Ciro pode reconfigurar alianças no Nordeste, região historicamente dominada pelo PT. “O apoio de Ciro a um candidato de centro-direita pode fragmentar a base bolsonarista e abrir espaço para novas composições”, avaliou o cientista político João Paulo Oliveira, da Universidade Federal do Ceará.

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