O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, usou a Convenção Nacional do PT, realizada neste domingo, 2, no Expo Center Norte, em São Paulo, para apresentar um balanço positivo da economia do atual governo. Em discurso que oficializou a chapa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele comparou a trajetória da indústria brasileira entre dois períodos e afirmou que a atividade industrial voltou a crescer a partir de 2023.
Segundo os números citados por Alckmin, a indústria nacional encolheu 1,6% entre 2015 e 2022. No recorte seguinte, de 2023 a 2025, o setor cresceu 3,2%, ainda conforme o vice-presidente. A virada, na avaliação dele, indica um ambiente econômico mais favorável ao investimento produtivo depois de um longo ciclo de retração.
Fábricas fechadas entre 2015 e 2022
Para sustentar a comparação, Alckmin enumerou empresas que encerraram suas operações no país durante o período anterior. "Nesse período de 2015 a 2022, fecharam a Ford, a Mercedes, a Vibra, a Sony, a Troller e a Audi", listou. A relação inclui montadoras do setor automotivo e companhias de outros ramos, citadas como símbolo da crise industrial daquele intervalo.
Na sequência, o vice-presidente destacou a melhora do chamado Custo Brasil, conceito que reúne custos e ineficiências estruturais que encarecem a produção no país. Segundo Alckmin, a simplificação e a redução da burocracia na indústria são medidas centrais para ampliar a competitividade das empresas e atrair novos investimentos.
Desemprego baixo e inflação controlada
Além do desempenho industrial, Alckmin chamou atenção para indicadores econômicos de curto prazo. A taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre móvel encerrado em junho. O IPCA-15 de julho, por sua vez, teve alta mensal de 0,06%, resultado abaixo do esperado e interpretado pelo ministro como um sinal de que a inflação segue sob controle.
Na leitura do vice-presidente, o país vive um momento raro, em que é possível combinar um mercado de trabalho aquecido com preços estáveis. "Um desemprego baixo, assim como uma inflação baixa, é difícil de se obter porque, em geral, quando a inflação está baixa o desemprego está alto; quando o desemprego está baixo, a inflação está alta. E conseguimos, presidente, as duas coisas no nosso País", frisou, em trecho do discurso direcionado a Lula.
Essa combinação, segundo Alckmin, não é obra do acaso. Ele creditou o resultado ao conjunto de políticas adotadas pelo governo, que teriam conseguido gerar emprego sem pressionar os preços. O ministro também evitou fazer projeções, mas indicou que a tendência é de manutenção do quadro positivo no curto prazo.
Crítica à CPMF e defesa da reforma tributária
O vice-presidente também entrou na discussão sobre a criação de novos tributos. De acordo com Alckmin, adversários políticos tinham a intenção de apresentar uma proposta de recriação da CPMF, o que encareceria o crédito e os empréstimos para famílias e empresas. Ele contrapôs essa ideia à reforma tributária conduzida durante o governo Lula.
"Isso encareceria o empréstimo e o crédito. O que o presidente Lula fez foi uma reforma tributária que simplifica e traz eficiência econômica", disse Alckmin. Para ele, o novo sistema de impostos é mais racional e reduz distorções, contribuindo para a produtividade e para a competitividade da economia brasileira.
A fala do ministro busca neutralizar o argumento de que a reforma ampliaria a carga tributária. Na avaliação do governo, o texto aprovado representa uma modernização, com regras mais claras, menos contencioso e maior segurança jurídica para os contribuintes.
Convenção oficializa candidatura à reeleição
A manifestação de Alckmin ocorreu durante a Convenção Nacional do PT, no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento homologou a candidatura do presidente Lula à reeleição e confirmou Alckmin como vice na chapa. Com isso, a dupla inicia a campanha oficial na disputa pelo Executivo federal, tendo a economia como um dos principais eixos de comunicação.
O encontro reuniu líderes partidários, parlamentares e apoiadores em torno do projeto de continuidade. A presença de Alckmin no palanque é considerada estratégica para ampliar o diálogo com o centro político e reforçar a narrativa de gestão, enquanto o PT apresenta as realizações do mandato como base da plataforma de reeleição.



