A Voepass emitiu nota defendendo sua operação após a Força Aérea Brasileira (FAB) divulgar, na quinta-feira, o relatório final da investigação sobre a queda de uma aeronave em Vinhedo (SP) em 2024, que resultou na morte de 62 pessoas. A companhia afirma que atuava sob 'padrões internacionais' e contava com tripulação experiente.
Relatório aponta falhas graves
O relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), vinculado à FAB, aponta que o acúmulo de gelo nas asas, não registrado e ignorado pela tripulação, foi a causa direta do acidente. O documento revela falhas na manutenção e supervisão da empresa, além de lacunas no treinamento dos pilotos para lidar com condições de formação de gelo.
De acordo com a investigação, a aeronave, um ATR 72-500, acumulou gelo de forma crítica durante o voo, e a tripulação não acionou os sistemas de degelo adequadamente. O relatório também destaca que a empresa não seguia procedimentos recomendados pelo fabricante para operação em condições de gelo.
Posicionamento da Voepass
Em nota, a Voepass afirmou que 'sempre atuou sob os mais rígidos padrões internacionais de segurança, possuindo certificação IOSA (IATA Operational Safety Audit) e contando com tripulação experiente e treinada'. A empresa disse que colabora com as autoridades e que 'as conclusões do relatório serão analisadas detalhadamente pela companhia e pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)'.
A Voepass destacou que a certificação IOSA é um padrão reconhecido mundialmente e que seus pilotos passam por treinamentos periódicos. No entanto, o relatório do Cenipa aponta que, apesar da certificação, houve falhas operacionais significativas.
Impacto e próximos passos
A Anac informou que analisará as conclusões do relatório e poderá tomar medidas administrativas contra a Voepass, incluindo multas ou suspensão de operações. O acidente, ocorrido em 9 de agosto de 2024, é um dos mais letais da aviação brasileira nos últimos anos.
Familiares das vítimas acompanham o caso e cobram responsabilização. Segundo o advogado das famílias, 'o relatório confirma o que sempre suspeitamos: falhas humanas e de gestão. Vamos buscar justiça'.



