Vice-prefeito acusado de forjar união estável com idosa para receber pensão
Vice-prefeito forja casamento para pensão

Familiares da ex-procuradora do Estado do Rio de Janeiro Ângela Marília de Moraes Pessanha afirmam ter recebido com surpresa a informação de que a idosa manteve uma união estável com Hélio Luiz Fazoli de Moraes, ex-marido de uma sobrinha dela e atual vice-prefeito de Trajano de Moraes, na Região Serrana do Rio. A relação é alvo de investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro, que acusa Hélio de ter forjado a união para obter, após a morte da servidora aposentada, uma pensão paga pelo RioPrevidência.

Segundo parentes de Ângela, a notícia de que os dois teriam formalizado uma união estável causou espanto. Isso porque Hélio havia sido casado por quase duas décadas com Adriana Pessanha, sobrinha da procuradora. O casal se divorciou em 2013 e, cerca de dez meses depois, o político registrou em cartório uma união estável com a tia da ex-mulher, então com mais de 80 anos. Para a família, nunca houve indícios de um relacionamento amoroso entre os dois.

"De jeito nenhum. Ele é sobrinho dela. Casado com a minha sobrinha. Um sobrinho vai casar com uma tia. Eu acho vergonhoso e eu acho que só um escândalo, né?", afirmou uma das parentes ouvidas na reportagem do Fantástico. Outra familiar disse não acreditar que a relação tenha existido. "Nunca podia imaginar que Hélio Luiz poderia ter algum tipo de relacionamento que não seja de sobrinho com a minha tia. Impossível", declarou. Questionados sobre a união estável registrada em cartório, parentes classificaram a situação como um "casamento fake".

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O que diz a investigação

De acordo com o Ministério Público, a união estável teria sido utilizada para permitir que Hélio recebesse a pensão da ex-procuradora após a morte dela. Os investigadores afirmam que o político também obteve uma procuração que lhe concedia poderes para movimentar as contas da idosa. Após a morte de Ângela, o pedido de pensão foi negado pelo INSS, mas aprovado pelo RioPrevidência. A suspeita de fraude levou o Ministério Público a abrir investigação e pedir a quebra dos sigilos bancários dos envolvidos. A Justiça aceitou a denúncia apresentada pelos promotores, suspendeu o pagamento do benefício e determinou o bloqueio de bens dos investigados, incluindo contas bancárias, imóveis, veículos e aplicações financeiras.

Quem era Ângela

Nascida em 1931, Ângela Marília de Moraes Pessanha foi uma das primeiras mulheres a integrar a Procuradoria do Estado do Rio de Janeiro. Aposentada desde 1985, ela também atuou como jornalista, escritora e poeta. Sem filhos, acumulou patrimônio ao longo da vida e, segundo familiares, passou os últimos anos mais afastada do convívio com parentes. Hélio Luiz e Adriana Pessanha respondem pelos crimes de falsidade ideológica e estelionato qualificado. A defesa dos investigados nega irregularidades e afirma que a acusação se baseia em narrativas ligadas ao cenário político local.

O que dizem os citados

Em nota, o Rioprevidência informou que já suspendeu o pagamento da pensão; que não detectou a fraude na época; e que vai acompanhar o processo junto à Procuradoria-Geral do Estado do Rio. Em nota, a defesa de Hélio Luiz Fazoli e de Adriana Canes Peçanha afirma que a investigação foi conduzida sem que os acusados fossem ouvidos e que a acusação se baseia em narrativas do cenário político local. Diz ainda que os parentes de Ângela que prestaram depoimento sequer frequentavam a cidade e que, como não há inventário aberto, é falso afirmar que os bens ficaram com Hélio. A nota acrescenta que a imagem da ex-procuradora merece respeito e será defendida por quem realmente cuidou dela; e conclui dizendo que a inocência dos dois será provada na Justiça.

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