Valdemar Costa Neto nega gerenciamento de emendas e recorre ao STF
Valdemar nega gerenciamento de emendas e recorre ao STF

O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, encaminhou ao gabinete do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suas explicações sobre o suposto gerenciamento de emendas parlamentares, mesmo sem exercer mandato eletivo. No documento, Valdemar afirmou que a expressão coloquial usada em entrevista significa apenas "sugerir, recomendar ou defender determinada política pública", negando qualquer interferência direta na destinação dos recursos.

Bloqueio de bens e suspeitas da PF

Há dez dias, Dino determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens de Valdemar, por suspeitas de que ele tenha gerenciado 21 emendas parlamentares mesmo sem mandato no Congresso. A medida foi tomada no âmbito da Operação Transparência, da Polícia Federal, que apura o uso de servidores da Câmara dos Deputados para direcionar recursos do chamado orçamento secreto – esquema revelado pelo Estadão em maio de 2021.

Declaração à imprensa e reação do STF

Em entrevista à GloboNews, Valdemar afirmou que é "natural" a interferência de dirigentes partidários na destinação das emendas, mesmo sem mandato eletivo. A declaração levou Dino a determinar, na quarta-feira, 15, que todos os presidentes de partidos com representação no Congresso Nacional se manifestassem sobre eventual participação na indicação dos recursos.

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Defesa de Valdemar

Em petição de 12 páginas, os advogados de Valdemar argumentam que a declaração "deve ser compreendida no âmbito próprio da atividade político-partidária: como referência à interlocução ordinária entre dirigentes e parlamentares na formação de agendas e na apresentação de prioridades, jamais como reconhecimento de titularidade, reserva, cessão ou poder de disposição sobre emendas parlamentares."

Impacto político e jurídico

O caso reacende o debate sobre o controle de emendas parlamentares e o papel de dirigentes partidários na alocação de recursos públicos. A decisão de Dino de bloquear os bens de Valdemar e convocar os presidentes de partidos a se manifestarem sinaliza uma postura mais rigorosa do STF em relação a possíveis desvios no orçamento secreto. A investigação da PF segue em andamento, e novos desdobramentos são esperados.

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