Uma tatuagem no braço do suspeito foi a pista que levou uma auxiliar de laboratório de 36 anos a descobrir que era vítima do chamado 'golpe do amor' em Franca, interior de São Paulo. O prejuízo estimado é de R$ 15 mil, entre empréstimos e pagamentos feitos em benefício de Thiago Cristiano Boch, que não foi mais encontrado pessoalmente após a descoberta.
A mulher conta que sempre via as tatuagens do namorado, mas nunca havia lido os detalhes. No dia 16 de junho, durante uma viagem ao Paraná, ela notou a palavra 'Boch' em evidência no braço do investigado. Ao perguntar, ele disse que era o nome do pai. A vítima decorou o sobrenome e, ao retornar, fez uma busca na internet.
Descoberta na internet
“Peguei e joguei Thiago Boch no Google e já veio direto as reportagens que tinha, mais de 20 casos de estelionato contra mulheres em Minas Gerais, na Paraíba”, relata a vítima. A partir daí, ela confirmou as suspeitas e procurou a Polícia Civil.
Segundo o boletim de ocorrência, a auxiliar de laboratório conheceu o homem por um aplicativo de relacionamento em abril. Com o tempo, ele ganhou a confiança dela e passou a pedir dinheiro, prometendo devolver tudo assim que recebesse o valor da venda de uma casa da família.
O golpe e o prejuízo
A vítima emprestou quantias guardadas para uma viagem e chegou a alugar um veículo para o namorado trabalhar como motorista de aplicativo. A desconfiança aumentou durante a viagem ao Paraná, quando ele caiu em contradição e começou a usar o cartão dela sem permissão.
Na noite de 12 de junho, o investigado a levou a um bar e insistiu para que ela bebesse. “Conforme ia acabando o copo, ele ia repondo. Eu cheguei a ficar muito tonta no barzinho e, depois, na hora que fomos embora, ele falou que iria em algum lugar e voltava. Ele demorou muito tempo, chegou umas 3h45 da manhã”, detalha. No dia seguinte, ao abrir o aplicativo do banco, a mulher notou a ausência de R$ 5 mil e outros gastos. O investigado conhecia a senha do celular.
Histórico criminal em quatro estados
Após a pesquisa, a vítima descobriu que Thiago acumula uma ficha criminal extensa. Em Minas Gerais, em 2022, a Justiça de Contagem o condenou por estelionato, com pena substituída por prestação de serviços e indenização de R$ 4,7 mil. Na Paraíba, ele foi preso em 2018 por vender o carro de uma ex-namorada em um aplicativo de vendas on-line, sumindo com o veículo e com cerca de R$ 6 mil, resultando em condenação em 2019.
No Paraná, estado de origem, houve condenação em 2010 por receptação e circulação de moeda falsa. Em São Paulo, ele responde a processos em Itu e na capital. Em Itu, em 2022, foi denunciado por estelionato após pegar o carro de um casal e vendê-lo por R$ 10 mil, sendo condenado a um ano e seis meses de reclusão em regime aberto. Na capital, uma mulher pediu indenização de R$ 26,2 mil, mas o réu não foi localizado.
O g1 entrou em contato com Thiago Cristiano Boch por telefone e mensagens, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Franca.



