O secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin, voltou a defender as alegações infundadas do ex-presidente Donald Trump sobre fraude eleitoral, ameaçando autoridades locais com penas de prisão e multas. Em declarações recentes, Mullin afirmou ter identificado centenas de milhares de não cidadãos nos cadastros eleitorais de quatro estados, sem, no entanto, apresentar qualquer evidência concreta para sustentar a acusação.
Ameaças a estados e autoridades locais
Mullin declarou que os estados que não cooperarem com as investigações federais sobre supostas fraudes poderão sofrer sanções financeiras e legais. "Encontramos centenas de milhares de não cidadãos registrados para votar em pelo menos quatro estados. Isso é inaceitável e terá consequências", disse o secretário, sem especificar quais estados seriam alvo das medidas.
Especialistas em direito eleitoral contestam veementemente as afirmações. "Não há evidências de fraude eleitoral significativa nas últimas eleições. As alegações de Mullin são uma repetição de teorias da conspiração já desmentidas", afirmou Richard Hasen, professor de ciência política da Universidade da Califórnia, em Irvine.
Contexto político e legal
As declarações de Mullin ocorrem em um momento em que Trump e seus aliados intensificam esforços para aumentar o controle sobre a infraestrutura eleitoral do país, desafiando as claras limitações legais impostas pela Constituição e pelas leis federais. A Secretaria de Segurança Interna não possui jurisdição direta sobre os processos eleitorais estaduais, que são administrados pelos governos locais.
Uma análise do Brennan Center for Justice, organização não partidária de defesa dos direitos civis, concluiu que "a fraude eleitoral é extremamente rara nos Estados Unidos, e as alegações de registros de não cidadãos em massa são infundadas". O centro estima que a taxa de fraude eleitoral é inferior a 0,0009% dos votos.
Reações e implicações
Líderes de direitos civis e autoridades eleitorais de vários estados criticaram as ameaças de Mullin. "Essas alegações são uma tentativa de minar a confiança no sistema eleitoral e justificar medidas restritivas que dificultam o acesso ao voto", disse Myrna Pérez, diretora do Programa de Direitos de Voto do Brennan Center.
O senador democrata Chris Coons classificou as declarações como "perigosas e irresponsáveis", acrescentando que "o governo federal não tem autoridade para impor multas ou prisões com base em alegações não comprovadas". A Casa Branca não comentou oficialmente as afirmações de Mullin.



