Sargento da PM preso por feminicídio da esposa capitã em BH
Sargento da PM preso por feminicídio da esposa capitã

O sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, foi preso suspeito de matar a esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos, em Belo Horizonte. O caso é investigado pela Polícia Civil como feminicídio. O militar ingressou na corporação em 2015 e atualmente é lotado no 1º Batalhão da Polícia Militar. Após a prisão, ele foi encaminhado para o 34º Batalhão, onde permanece detido.

Histórico de violência

Segundo a Polícia Civil, Eduardo tinha registros de violência contra mulher em 2014 e 2016. O g1 teve acesso a dois boletins de ocorrência registrados por uma ex-companheira em 2016. Em um deles, ela relatou agressões físicas. No outro, denunciou ameaças e o descumprimento de uma medida protetiva. De acordo com um dos registros, a mulher afirmou que foi puxada pelos cabelos, arrastada até a rua, jogada no chão e atingida com um soco no rosto. Ela procurou atendimento médico e apresentava lesões em diferentes partes do corpo.

Ainda segundo a investigação, o sargento também já foi preso por embriaguez ao volante, em 2023, e recebeu sanções disciplinares ao longo da carreira.

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'Relação abusiva' e 'controle psicológico'

Familiares de Michele relataram à polícia que o relacionamento do casal era marcado por sucessivas separações e reconciliações. A mãe da capitã afirmou que considerava a relação abusiva e baseada em controle psicológico. Em depoimento, ela contou que tinha um encontro marcado com a filha na manhã de segunda-feira, mas recebeu uma ligação informando que Michele não poderia comparecer. Depois disso, enviou diversas mensagens ao longo do dia e não obteve resposta. A mãe também afirmou que passou a desconfiar do uso de drogas pela filha após o início do relacionamento com Eduardo.

Segundo relato registrado no boletim de ocorrência, outra filha da família contou que Michele considerava o companheiro uma pessoa narcisista, tentava encerrar o relacionamento e que, em uma discussão anterior, ele teria chegado a empunhar uma faca.

Entenda o caso

Imagens do circuito interno do prédio onde o casal morava, em Belo Horizonte, mostram o sargento carregando o corpo da vítima nos ombros até a garagem do edifício. Em seguida, ele coloca Michele dentro do carro e segue para o Hospital Odilon Behrens. Segundo o boletim de ocorrência, a capitã chegou à unidade de saúde já sem vida. A equipe médica identificou traumatismo craniano, ferimentos nas pernas, hematomas, marcas compatíveis com chicotadas e um corte na cabeça.

Em depoimento, Eduardo afirmou que ele e a esposa participaram de uma confraternização na residência do casal, consumiram bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy e, depois, mantiveram relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas. Ele também declarou que Michele teria sofrido uma queda da escada da casa horas antes da morte e recusado atendimento médico. O caso é investigado pela Polícia Civil.

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