A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem para investigar o Banco Digimais, instituição financeira ligada ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus. As suspeitas indicam que os balanços do banco foram manipulados para esconder a real situação financeira, dificultando a fiscalização do Banco Central.
Bloqueio de bens e valores
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens de envolvidos, incluindo Edir Macedo e outros dirigentes do banco. A medida visa garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos e a investidores, caso as irregularidades sejam comprovadas.
Fraudes contábeis e supervalorização
Segundo a investigação, o Banco Digimais teria supervalorizado ativos e registrado receitas fictícias para maquiar seus resultados. Essas práticas teriam beneficiado a empresa controladora do banco, que também é alvo de apuração. A manipulação contábil teria ocorrido entre 2019 e 2023, período em que o banco apresentou lucros artificiais.
De acordo com a Polícia Federal, os relatórios do Banco Central apontaram inconsistências nos demonstrativos financeiros, o que motivou a abertura do inquérito. A operação cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Defesa de Edir Macedo
A defesa do bispo Edir Macedo afirmou que as acusações são infundadas e que o Banco Digimais sempre atuou dentro da legalidade. Em nota, os advogados declararam que "todos os balanços foram auditados por empresas independentes e aprovados pelo Banco Central" e que "as medidas judiciais são desproporcionais".
Impacto no mercado e na Igreja Universal
A investigação abala a credibilidade do Banco Digimais, que tem forte relação com a Igreja Universal, sendo usado para movimentar recursos da instituição religiosa. Especialistas apontam que, se confirmadas as fraudes, o banco pode sofrer intervenção do Banco Central e ter sua liquidação decretada. A Igreja Universal, por sua vez, tenta se distanciar do caso, afirmando que o banco é uma instituição independente.
Próximos passos da investigação
A Polícia Federal analisa documentos apreendidos e ouvirá testemunhas nos próximos dias. O inquérito corre em sigilo, mas a expectativa é de que novas medidas sejam tomadas, incluindo a possibilidade de denúncia formal contra os investigados por crimes como lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e gestão fraudulenta.



