PF aponta Eduardo Cunha como operador de emendas secretas em Minas Gerais
PF: Eduardo Cunha operou emendas secretas em Minas

A Polícia Federal (PF) identificou que o ex-deputado Eduardo Cunha, cassado em 2016, atuava como operador do chamado orçamento secreto, destinando recursos a municípios mineiros mesmo sem exercer cargo eletivo. As evidências constam em diálogos extraídos do celular de Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, ex-assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e principal alvo da Operação Transparência.

Diálogos revelam esquema de indicação de emendas

Segundo a investigação, as conversas mostram que Cunha indicava emendas parlamentares com documentos forjados para ocultar o verdadeiro solicitante das verbas. O montante total das emendas questionadas é de R$ 6,15 milhões, valor que levou o ministro do STF Flávio Dino a determinar o bloqueio de bens do ex-deputado até o limite de R$ 6 milhões. A PF afirma que Cunha contava com uma “cota informal de valores”, direcionada conforme “as diretrizes e interesses políticos no Estado de Minas”.

Em uma das conversas, Cunha reclamou de prefeitos mineiros e pediu a troca de uma emenda: “Eu não aguento mais esses mineiros enrolados. Troca a de Governador Valadares por essa, pois lá também criaram caso pedindo ofício etc. É mais fácil trocar”. Para a PF, o diálogo é “mais simbólico ainda no sentido do descontrole político e desvinculação ao interesse público dessas destinações”.

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Atuação de Tuca como facilitadora

A PF destaca que Tuca não era mera executora ocasional, mas “agente ativa e consciente, desempenhando papel de consultora, facilitadora e implementadora das demandas repassadas para Eduardo Cunha”. Em 5 de setembro de 2025, ela iniciou contato com Cunha, e a conversa aponta que ela pretendia repassar informações. Cunha respondeu: “Então me dê”. Após uma mensagem apagada, Cunha afirmou: “Tive ontem com Arthur. Hugo me ligou a noite. Enfim, tentando ajudar. Mas Arthur tem razão”. As referências seriam a Arthur Lira e Hugo Motta, atual presidente da Câmara.

Em 12 de setembro, Cunha tratou de uma emenda para Manhuaçu (MG). Ele mencionou que o pessoal local é “inimigo” e que estavam dizendo que a emenda era de Nikolas Ferreira. Cunha pediu um ofício do deputado Gilberto Abramo atestando que a emenda era de autoria dele, a pedido do deputado estadual João Magalhães, para evitar trocar a destinação. Tuca respondeu que falaria com Abramo.

Emendas sob suspeita e valores desviados

Em 15 de setembro, Cunha enviou a Tuca duas indicações: R$ 200 mil para o Fundo Municipal de Saúde de Governador Valadares e R$ 300 mil para a Associação Hospital Belizário Miranda, pedindo a troca da emenda de Manhuaçu. Tuca confirmou a alteração. A PF também analisou conversas sobre valores para Lajinha (R$ 330.970) e Governador Valadares (R$ 169.030), totalizando R$ 500 mil. Em novembro, Cunha enviou uma planilha “Minas lista 2” com R$ 5 milhões em emendas para municípios mineiros.

A defesa de Cunha afirmou que desconhece qualquer irregularidade e que o montante de R$ 6,15 milhões corresponde ao valor global das emendas questionadas, “destinadas a municípios ou outros beneficiários públicos, e nem mesmo a decisão imputa recebimento de qualquer vantagem”. A defesa também destacou que Cunha não exerce mandato e que as emendas foram formalmente apresentadas por parlamentares.

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