O Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou 11 pessoas pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e contratações e lavagem de dinheiro. O esquema desviava recursos públicos do Instituto Rio Metrópole (IRM) e movimentou R$ 86,28 milhões.
Operação cumpre mandados de prisão e busca
Agentes cumprem seis mandados de prisão e nove de busca e apreensão nesta quinta-feira em endereços na capital, em São Gonçalo (Região Metropolitana) e em Teresópolis (Região Serrana). Cinco pessoas já foram presas, segundo o Bom Dia Rio, da TV Globo, entre elas Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, presidente do IRM.
De acordo com a denúncia apresentada à 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital, os acusados utilizaram contratos firmados pelo IRM entre julho de 2022 e maio de 2026 para desviar recursos. O esquema, segundo a denúncia, movimentou R$ 86,28 milhões.
Funcionamento do esquema
Segundo o Ministério Público, valores pagos a duas empresas contratadas eram posteriormente transferidos para a Brazilian Institute of Organics (Instituto BIO), entidade sem estrutura operacional compatível, de onde o dinheiro era sacado em espécie. A investigação está em andamento desde 2025, em caráter preliminar, conduzida por agentes baseados em Washington, D.C., e na Flórida.
Denunciados e prisões
O MPRJ requereu e obteve a prisão preventiva dos agentes públicos identificados como integrantes do esquema. Didê, ex-presidente da Câmara de São João de Meriti e atual presidente do IRM, chefiava o núcleo de servidores investigado, autorizando contratações, firmando contratos e controlando pagamentos.
Também foram denunciados: Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM e integrante da Comissão Técnica de Licitação, apontado como articulador do direcionamento das licitações; Franquis Dias Nepomuceno, diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM e delegado da Polícia Civil, que atuava como ordenador de despesas e controlava o grupo RioForte, responsável pela escolta armada do dinheiro; Marcelo Lopes da Silva, procurador do Estado à frente da Procuradoria-Geral do IRM, acusado de emitir pareceres que deram cobertura jurídica às contratações; Caroline Soares Barros, que acumulava as funções de fiscal de contratos do IRM e presidente do Instituto BIO, entidade de fachada; e Amanda Íthala Santos da Paschoa, que a sucedeu na fiscalização e atestou a execução dos contratos.
Medidas cautelares para outros denunciados
Em relação aos demais denunciados, a Justiça aplicou medidas cautelares diversas da prisão, incluindo monitoramento eletrônico, comparecimento periódico em juízo e proibição de ausentar-se do país. São eles: Leilson de Souza Nepomuceno, Gerson Luís de Araújo Rodrigues, Hélio Augusto Machado Pessôa, Roberto Accioly Peotta e Roberto Peotta.
Segundo a denúncia, integravam a organização criminosa como particulares que davam suporte ao esquema: Hélio e Gerson, representantes da Engeconsult; Roberto Accioly Peotta e Roberto Peotta, da R. Peotta, empresas contratadas que repassavam recursos à entidade de fachada; e Leilson de Souza Nepomuceno, à frente da RioForte, incumbida da escolta armada do numerário sacado em espécie.



