O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) ajuizou uma ação civil pública contra a influenciadora Virginia Fonseca e o site de apostas Blaze, conforme confirmou o g1 nesta quinta-feira (9). A ação ainda será analisada pela Justiça.
Investigação aponta estratégia agressiva de captação
Para colher provas, servidores do MP se cadastraram na plataforma e monitoraram as ações de marketing. O documento aponta que há envio sistemático de e-mails promocionais. "A prática evidencia uma estratégia agressiva de captação, arquitetada para forçar o engajamento do usuário logo nos primeiros minutos de acesso ao sistema", afirma o MP.
Segundo os promotores, o objetivo é induzir o consumo impulsivo de apostas e explorar vulnerabilidades. As escolhas de publicidade geram mais impacto entre populações de maior vulnerabilidade socioeconômica, já que a "promessa de ganho rápido é vista como solução para pressão econômica".
Pedidos do MP: indenização de R$ 120 milhões e contrapropaganda
A ação destaca indícios de "práticas abusivas, retenção sistemática de valores e imposição de metas de apostas aparentemente inatingíveis". A investigação se baseou em denúncias de consumidores sobre retenção de valores e bloqueio de contas, além de relatório técnico com mais de 42 mil reclamações contra a plataforma.
O MP pede indenização por danos morais coletivos de, no mínimo, R$ 120 milhões, além de determinação para retirar publicidades que prometam lucros fixos ou sugiram renda extra, e custear campanha de contrapropaganda educativa sobre riscos do jogo patológico e superendividamento.
Papel do influenciador na captação de apostadores
Na ação, o MP aponta que a publicidade feita por influenciador induz o seguidor a imitar o comportamento da figura pública, validando a aposta como método seguro. "O consumidor não apenas confia na recomendação porque ela vem de alguém que admira e considera bem-sucedida, mas também porque a percebe como próxima, autêntica e digna de identificação", declara o documento.
O alvo principal dessas campanhas são indivíduos em situação de hipervulnerabilidade econômica, atraídos pela "promessa ilusória de 'renda extra' e pela identificação afetiva com as figuras públicas contratadas".
O que diz a Blaze
Em nota, a Foggo Entertainment Ltda, detentora da marca Blaze no Brasil, afirmou que não foi formalmente intimada e que "se mantém comprometida com a transparência e conformidade com a legislação e as regulamentações em vigor no país". A empresa disse que prestará esclarecimentos quando notificada. A reportagem tenta localizar a defesa de Virginia Fonseca.



