Quatro pessoas foram denunciadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná (MP-PR) por participação em um esquema de "rachadinha" comandado pelo deputado estadual Ricardo Arruda (PL). Entre os denunciados está a esposa do parlamentar, Patrícia Miranda Arruda Nunes, além de três servidores comissionados da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP): André Felipe Cassineli Luiz, Lucas Dorini Sabbato e Bruno Palazzo da Silva. O deputado não integra a ação penal por já ter sido denunciado pelo mesmo esquema em 2024.
Esquema de rachadinha e ocultação de valores
Conforme o MP, Arruda exigiu de servidores comissionados o repasse de parte dos salários entre 2018 e 2023, totalizando aproximadamente R$ 132,8 mil. Os valores eram recebidos de forma indireta, com uso de mecanismos para ocultar a origem e o destino do dinheiro. Os crimes de lavagem de dinheiro e concussão — quando um funcionário público exige vantagem indevida em razão da função — foram apontados na denúncia.
Em nota, o deputado Ricardo Arruda, representando os quatro acusados, afirmou que "as acusações são inverídicas e que tem confiança plena no trabalho da Justiça Paranaense, que reconhecerá a verdade e absolverá todos os envolvidos nas injustas acusações do GAECO".
Mecanismos de ocultação e despesas pessoais
As investigações revelaram que os acusados organizavam o esquema de várias formas para dificultar a rastreabilidade. Em ao menos três ocasiões, valores transferidos por servidores foram usados para adquirir moeda estrangeira, entregue em dinheiro ao deputado. Em outra situação, os repasses ocorreram por meio de cartões de crédito para custear despesas da esposa do deputado.
A denúncia também relata transferências bancárias, saques em espécie, depósitos em contas de terceiros, pagamentos de despesas pessoais e transferências para empresa familiar ligada ao parlamentar. Em 2023, dois dos acusados, com conhecimento do deputado, exigiram repasses de parte dos salários e adotaram mecanismos de ocultação, incluindo depósitos em espécie e pagamento de despesas particulares.
Papéis dos denunciados no esquema
Segundo o MP, Bruno Palazzo foi o principal operador, com papel central na gestão, ocultação e repasse dos valores, além de ter participado das exigências. Ele foi denunciado por dez crimes de lavagem de dinheiro e dois de concussão. Lucas Sabbato intermediou valores e operações de câmbio para entrega em espécie, sendo denunciado por um crime de lavagem de dinheiro. André Cassineli participou da circulação e ocultação de dinheiro ilícito, denunciado por dois crimes de lavagem de dinheiro. Patrícia Nunes utilizou contas e cartões para dissimular valores e instigou cobranças, sendo denunciada por oito crimes de lavagem de dinheiro e um de concussão.
Afastamento de servidor e andamento do processo
A denúncia pediu o afastamento de Bruno Palazzo da função pública, uma vez que ele ainda ocupava cargo comissionado na ALEP. A 2ª Vara Criminal de Curitiba recebeu a denúncia e deferiu o pedido, com o objetivo de "evitar eventual interferência na apuração dos fatos e assegurar o regular andamento do processo", conforme o MP.



