O Ministério Público da Bahia (MP-BA) e a própria família de Mateus da Costa Meira tentaram impedir, em 2024, a liberação do ex-estudante de Medicina do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico onde estava internado desde 1999. Mateus é o autor da chacina ocorrida em um cinema de São Paulo, que resultou na morte de três pessoas e deixou nove feridas.
Família muda de posição após desativação do hospital
Inicialmente, os pais de Mateus manifestaram-se contra recebê-lo de volta. No entanto, com a iminente desativação do hospital de custódia, eles recuaram e aceitaram acolher o filho, que agora cumpre tratamento psiquiátrico em liberdade. A mudança de postura ocorreu diante da falta de alternativa para a internação do paciente.
Riscos à sociedade e à família são apontados pelo MP
O MP-BA alegou que a soltura representa riscos à sociedade e à própria família, uma vez que Mateus, aos 51 anos, ainda é considerado de alta periculosidade. A instituição tentou judicialmente reverter a decisão que concedeu a liberdade condicional, mas não obteve êxito. Segundo o órgão, o tratamento psiquiátrico ambulatorial pode não ser suficiente para controlar os impulsos do paciente.
Relembre o caso: massacre em cinema de SP
Em 1999, Mateus da Costa Meira, então estudante de Medicina, invadiu uma sala de cinema na zona oeste de São Paulo e disparou contra os espectadores. O ataque, que chocou o país, foi motivado por supostos transtornos mentais. Condenado a 120 anos de prisão, ele foi considerado inimputável e encaminhado para tratamento psiquiátrico, onde permaneceu por 25 anos.
Com a desativação do hospital de custódia, a Justiça determinou a progressão para o regime aberto, com obrigação de seguir acompanhamento médico. A decisão gerou polêmica e reacendeu o debate sobre a segurança de pacientes psiquiátricos com histórico de violência.
Atualmente, Mateus vive com os pais em Salvador e frequenta consultas regulares. Apesar da liberdade, o MP-BA promete continuar monitorando o caso e poderá pedir a revogação da medida se houver descumprimento das condições impostas.



