Hugo Motta admite viagem em jatinho e hotel pagos por banqueiro
Motta admite viagem em jatinho e hotel pagos por banqueiro

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), admitiu nesta quarta-feira (17) que utilizou um jatinho particular do banqueiro Daniel Vorcaro e teve duas diárias de hotel pagas por ele durante uma viagem a Portugal em junho de 2024. A revelação ocorre no âmbito das investigações da Polícia Federal (PF) que apuram um suposto esquema de propinas, lavagem de dinheiro e acesso ilegal a sistemas públicos.

Viagem a Lisboa e diárias no hotel de luxo

Em entrevista à TV Globo, Motta confirmou que viajou no jato de Vorcaro a convite do senador Ciro Nogueira (PP-PI), também investigado. O presidente da Câmara afirmou que o banqueiro pagou por duas diárias em um hotel de luxo em Lisboa, valor que, segundo ele, seria de aproximadamente R$ 15 mil. No entanto, o relatório da PF aponta que Vorcaro pagou sete diárias para três suítes – duas júniores e uma presidencial – entre 24 e 29 de junho, totalizando mais de US$ 211 mil (cerca de R$ 1,1 milhão).

A divergência entre o número de diárias informado por Motta e o que consta nas faturas e no relatório policial é um dos pontos destacados pela investigação. De acordo com a PF, no dia 18 de junho de 2024, Daniel Vorcaro solicitou reservas em Lisboa para "Ciro e Hugo", indicando que as despesas seriam custeadas por ele.

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Empréstimo de R$ 22 milhões para cunhada

Além da viagem, a PF identificou diálogos em que Hugo Motta teria solicitado a Vorcaro a liberação de um empréstimo do Banco Master para a empresa de sua cunhada, Bianca Medeiros, irmã de sua esposa Luana Motta. Segundo reportagem do jornal "O Estado de S.Paulo", as conversas tratam de um financiamento de ao menos R$ 22 milhões, concedido em março de 2024. Motta não quis responder se atuou para viabilizar o empréstimo e limitou-se a afirmar que a operação "está dentro da legalidade".

Mesadas de R$ 6 milhões para Ciro Nogueira

A investigação da PF também revelou que o senador Ciro Nogueira recebeu pagamentos mensais de Daniel Vorcaro que, somados, chegam a R$ 6 milhões entre junho de 2024 e agosto de 2025. Os valores começaram em R$ 300 mil e posteriormente subiram para R$ 500 mil, sempre sob supervisão direta do banqueiro. A PF classificou os repasses como "evidente pagamento mensal e reiterado de valores expressivos".

Além disso, um relatório de inteligência financeira apontou que a CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa da qual Ciro Nogueira é sócio, movimentou R$ 20 milhões entre 2023 e 2024, valor incompatível com o faturamento declarado de R$ 832 mil no mesmo período. A PF considera que a discrepância é um indício de possível uso da empresa para "circulação interna ou dissimulação de valores", padrão recorrente em investigações de lavagem de dinheiro.

Servidores infiltrados na PF

A PF identificou ainda que o esquema contava com a ajuda de servidores públicos infiltrados em órgãos de investigação. Na residência de Henrique Vorcaro, pai de Daniel, preso desde maio, os agentes encontraram uma impressão de captura de tela do sistema utilizado pela própria Polícia Federal. Segundo a investigação, isso confirma que Henrique possuía pessoas que atuavam a seu favor dentro da PF, realizando consultas ilegais a dados de interesse do grupo.

Henrique Vorcaro é apontado como o responsável por fazer a ligação entre os grupos usados para invadir sistemas e para intimidar pessoas. Manoel Rodrigues, também investigado, atuava no jogo do bicho e acionava milicianos e policiais para ações criminosas. Testemunhas relataram ameaças: "Aí ele falou: 'Eu poderia chegar aqui na tua casa com as armas, sei que a tua mulher e teus filhos estão aqui'".

A defesa do senador Ciro Nogueira não se manifestou até o fechamento desta edição.

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