Em um dos momentos mais emocionados de seu interrogatório, Monique Medeiros chorou ao rebater o depoimento da ex-babá de Henry Borel, que afirmou ter relatado à mãe do menino supostas agressões sofridas pela criança. Diante dos jurados, Monique negou ter recebido qualquer aviso nesse sentido e declarou que jamais teria permitido a convivência entre o filho e Jairinho caso soubesse de episódios de violência.
— Se ela tivesse me contado qualquer coisa desse tipo, eu nunca ia deixar meu filho com o Jairinho. Eu não ia. Ela não me contou que ele estava sofrendo essas agressões em momento algum — afirmou Monique.
A declaração se contrapõe diretamente a um dos depoimentos mais importantes do julgamento, ocorrido no sétimo dia do júri. A babá Thayná Ferreira afirmou ter presenciado situações que considerou suspeitas envolvendo Jairinho e Henry e disse que chegou a relatar preocupações a Monique. A babá descreveu episódios em que o menino teria saído de encontros com o então vereador reclamando de dores, além de afirmar que trocou mensagens com a mãe da criança em tempo real durante uma dessas situações.
Segundo Thayná, em um dos episódios, Monique chegou a pedir que ela observasse o que acontecia dentro de um quarto onde Jairinho estava sozinho com Henry. A ex-funcionária também relatou que gravou vídeos, enviou mensagens sobre o comportamento da criança e passou a desconfiar que algo não estava bem na relação entre os dois.
Já em seu interrogatório, Monique sustentou que nunca recebeu qualquer informação sobre agressões, tortura ou maus-tratos. Ela afirmou que as mudanças de comportamento observadas em Henry foram interpretadas por ela como consequência das transformações que o menino enfrentava naquele período.
— Eu o coloquei no psicólogo porque eu achava que o Henry estava sofrendo com a separação, com a escola nova e com a mudança de casa — afirmou Monique.



