Michelle Bolsonaro deixa presidência do PL Mulher após crise com enteado
Michelle Bolsonaro deixa PL Mulher após crise com enteado

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher, cargo que ocupava desde 2023 e pelo qual recebia cerca de R$ 46 mil mensais pagos pelo Partido Liberal. A saída foi oficializada nesta terça-feira (30), após reunião reservada com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, em Brasília.

Justificativa pessoal e contexto de crise

Em nota, Michelle afirmou que decidiu encerrar sua atuação à frente do segmento feminino para dedicar mais tempo à família e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar humanitária por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Embora a justificativa oficial tenha sido pessoal, a mudança ocorre poucos dias depois da maior crise pública já registrada entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência da República.

Conflito público com Flávio Bolsonaro

O conflito teve início após Michelle publicar um vídeo nas redes sociais afirmando ter sido desrespeitada pelo enteado durante as negociações para a formação dos palanques estaduais. O principal ponto de atrito foi o apoio de Flávio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará, decisão criticada pela ex-primeira-dama, que defendia um nome mais alinhado ao núcleo ideológico do bolsonarismo. Flávio respondeu publicamente, pediu desculpas e afirmou que jamais teve a intenção de ofender Michelle. Nos bastidores, Jair Bolsonaro e dirigentes do PL passaram a atuar para evitar que a disputa comprometesse a campanha presidencial do partido.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto na legenda e futuro político

A saída da ex-primeira-dama do comando do PL Mulher representa sua primeira mudança institucional desde o início da crise. O cargo havia ampliado sua influência dentro da legenda, especialmente junto ao eleitorado feminino e evangélico, segmentos considerados estratégicos para a direita nas eleições deste ano. O futuro político de Michelle também permanece indefinido. Antes do episódio, ela era tratada como pré-candidata do PL ao Senado pelo Distrito Federal. Até o momento, porém, o partido não confirmou se esse projeto será mantido após sua saída da direção do movimento feminino.

Repercussão entre eleitores

Pesquisas divulgadas nesta semana também indicam que a disputa repercutiu entre os eleitores. Levantamento da AtlasIntel/Bloomberg apontou que 64,1% dos entrevistados avaliam que o conflito entre Michelle e Flávio enfraquece, em algum grau, a candidatura presidencial do senador. Ao mesmo tempo, mais da metade considera importante a participação da ex-primeira-dama na campanha do PL, evidenciando que ela preserva influência eleitoral mesmo fora da estrutura partidária.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar