Em outubro de 2008, o Brasil acompanhou a cobertura do sequestro de Eloá Cristina Pimentel e outros três amigos em Santo André, no ABC Paulista. O caso chocou o país pela crueldade e pelos desdobramentos trágicos.
O sequestro
Era dia 13 de outubro de 2008, uma segunda-feira. Eloá estava no apartamento onde morava, na companhia de outros três adolescentes, para fazer uma lição de casa em grupo. Foi quando um homem armado com um revólver invadiu o imóvel, fez ameaças e anunciou o sequestro. Era Lindemberg Alves, de 22 anos, ex-namorado de Eloá.
Lindemberg e Eloá começaram a namorar quando ela tinha apenas 12 anos. Durante dois anos e meio, o casal viveu um relacionamento conturbado. Até que, em 2008, Eloá decidiu terminar. Lindemberg, no entanto, não aceitava o fim do namoro.
A chegada da polícia
Naquela mesma segunda-feira, a Polícia Militar de São Paulo foi acionada. Ao chegarem ao condomínio onde acontecia o sequestro, os agentes foram recebidos a tiros. À noite, dois dos adolescentes foram libertados, restando como reféns Eloá e a melhor amiga, Nayara Rodrigues, também de 15 anos à época.
Ao saber do sequestro, o pai de Eloá, que até então se apresentava como Aldo José dos Santos, passou mal. As imagens do atendimento médico foram exibidas na televisão, e ele foi identificado como Everaldo Pereira dos Santos: um foragido da Justiça de Alagoas que integrava um grupo de extermínio conhecido como “Gangue Fardada”. Após a repercussão das imagens, Everaldo fugiu, mas acabou preso no ano seguinte, em 2009.
Negociações e tragédia
Após horas de negociações, Lindemberg decidiu libertar Nayara na noite do dia seguinte, terça-feira (14). Ela, no entanto, foi chamada pela PM para participar das negociações na quinta-feira (16). A manobra deu errado, e Nayara acabou retornando para dentro do apartamento, onde voltou a ser mantida refém.
Na sexta-feira (17), os agentes realizaram uma operação para invadir o apartamento. Segundo a corporação, a incursão ocorreu porque Lindemberg teria feito disparos. Nayara, no entanto, contestou essa versão. Segundo ela, o criminoso só atirou depois que a polícia invadiu o imóvel.
Lindemberg fez três disparos: um atingiu o rosto de Nayara; os outros dois, a cabeça e a virilha de Eloá. Nayara deixou o apartamento andando e foi encaminhada para atendimento médico. Eloá foi retirada inconsciente pelos socorristas. Ela foi levada para o hospital, passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos.
Desfecho judicial
Lindemberg foi rendido e saiu escoltado pelos policiais, sem ferimentos. Ele foi acusado por 12 crimes e acabou condenado, em 2012, a 98 anos e 10 meses de prisão. Posteriormente, a pena foi reduzida para 39 anos.
Neste sábado (27), o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, irmão mais velho de Eloá, foi baleado na cabeça na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.



