Fraude de R$ 27 mi em livros: família Paroschi Jafar é alvo da Operação Gutenberg
Fraude de R$ 27 mi em livros: família Paroschi Jafar alvo

A Operação Gutenberg, deflagrada em 7 de julho pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), revelou um esquema que fraudou mais de R$ 27 milhões em compras de livros didáticos no Mato Grosso do Sul, envolvendo cinco integrantes da família Paroschi Jafar, ligada à Gráfica Alvorada e outras empresas do setor gráfico.

Família Paroschi Jafar: funções no esquema

Segundo a investigação, cada um dos cinco suspeitos exercia uma função específica na organização criminosa. A empresária Rossana Paroschi Jafar, viúva do empresário Mirched Jafar Júnior, é apontada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) como uma das chefes do grupo. Seus filhos Olívia, Felipe e Giovanni Paroschi Jafar, e a ex-nora Rhayane Souza Fanaia também são investigados.

Conforme o Gaeco, prefeituras de Mato Grosso do Sul eram pressionadas a comprar livros produzidos pelo grupo para conseguir vagas na Central Estadual de Regulação para exames, consultas e cirurgias. Servidores da Saúde estadual condicionavam a liberação de vagas para hospitais, exames e cirurgias à compra dos livros vendidos pelo grupo familiar.

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Papéis de cada investigado

Rossana Paroschi Jafar, cirurgiã-dentista e empresária, concentrava as decisões administrativas e financeiras das empresas e era destinatária de parte dos recursos. Foi presa por suspeita de participação no esquema e posse de munições; obteve liberdade provisória no processo das munições, mas continua presa pela fraude.

Olívia Paroschi Jafar, médica e filha de Rossana, pagou fiança e responde ao processo em liberdade com tornozeleira eletrônica. A investigação aponta que ela é proprietária de empresas incorporadas à estrutura financeira da organização para receber recursos e ocultar a origem do dinheiro.

Felipe Paroschi Jafar, engenheiro e ex-servidor comissionado da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), foi um dos principais destinatários dos recursos públicos recebidos pela Editora Avante, utilizando uma empresa da qual é sócio com o irmão Giovanni. Após ser preso, foi exonerado do cargo de assessor especial da Agesul.

Giovanni Paroschi Jafar, empresário e sócio-administrador da Bold Tech Ltda., ficou foragido e se apresentou à polícia em 14 de julho. A investigação identificou transferências diretas da Editora Avante para sua conta bancária.

Rhayane Souza Fanaia, ex-nora de Rossana, é proprietária da Editora Avante, empresa usada para firmar contratos públicos de forma irregular. Segundo a investigação, ela cedeu seu nome para a criação da editora em 2021, mas atuava sob orientação de Rossana e dos filhos, transferindo valores quando a editora recebia pagamentos das prefeituras.

Esquema movimentou mais de R$ 27 milhões

De acordo com o MPMS, a organização contava com a participação de servidores públicos para direcionar compras de livros paradidáticos por meio de contratações diretas, sem licitação. Os contratos investigados somam mais de R$ 27 milhões em recursos públicos, distribuídos entre integrantes da organização, servidores e pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem dos valores.

As investigações apontam que servidores da área da Saúde condicionavam a autorização de exames, cirurgias e vagas em hospitais da rede estadual à compra de livros comercializados pelo grupo. A organização continuava em atividade e mantinha contratos ativos em diversos municípios.

A Operação Gutenberg cumpriu mandados em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).

Defesa de Olívia Jafar

A defesa de Olívia Jafar informou que ela pagou fiança e foi colocada em liberdade. A Justiça determinou o uso de tornozeleira eletrônica, comparecimento quando convocada e proibição de contato com familiares presos. Segundo a advogada Estella Bauermeister, "a Justiça reconheceu expressamente que Olivia Paroschi Jafar não integra o núcleo que chefia a organização criminosa, entendimento que fundamentou a substituição de sua prisão preventiva por medidas cautelares". A defesa afirma que Olívia nunca exerceu função de direção ou administração nas empresas investigadas.

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